Todos iguais: felizes ou infelizes todo o instante se esvai da mesma maneira, não há flores reais, sorrisos concretos. Existe um tempo despedaçado, finito e apressado: nunca haverá tempo de sobra, os sonhos ficarão para a sobremesa e o compromisso, que poderia ser adiado, será cumprido como uma exigência da vida que não pertence ao sujeito.
Comandados pelos compromissos, que vão nos acorrentando durante a vida, os homens esquecem de si mesmo e das impossibilidades que poderiam ser reais. O instante é um cuspe que seca rápido.
terça-feira, 1 de dezembro de 2009
Doce lembrança
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sexta-feira, 16 de outubro de 2009
Inexaurível
Às arvores na estante fazem volume – diminuo o som e fecho os olhos para ouvir suas folhas, que batem secas no teto da casa. As coisas que se escondem na estante: já nem sei mais o que habita por ali, virou uma selva perigosa onde poucos aventuram a organizá-la. A estante já não tem importância, ela não tem espaços vazios, dimensões infinitas – era criança e entrava na gaveta maior, mas o tempo passou e nem mais um livro, nem mais uma traça, a estante ficou por acidente. Os livros, que são muitos, se espremem entre seus braços, e a estante coitada, é uma mãe cansada que já não suporta o peso dos filhos no colo. Os piolhos nas crianças: as traças nos livros. A prateleira quebrada: a mãe doente e velha. Não posso deixá-la que morra, farei uma pátina, comprarei um novo vidro, uma nova rodinha para seus pés – cadeira de rodas. Eu? Enfermeira de estante e babá de livros.
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sexta-feira, 9 de outubro de 2009
A lua lá
O corpo morto volta a terra porque a vida é um ciclo, a mãe pede de volta o que ela deu. A semente, a lua, a terra – pequenos elementos que compõe o cenário do universo. O universo é fundo e irreconhecível, quanto mais se busca, menos se compreende. Vejo o universo como uma tela gigante que meus olhos não conseguem emoldurar, é imenso, é infinito. Todo infinito é finito, uma hora se acaba, mas não percebemos porque não estamos mais aqui. A semente, a lua, a terra e o universo – grandes elementos que compõe a insignificância do homem. Não somos nada e jamais seremos, porque somos metade de qualquer coisa fragmentária. Não acrescentamos. Somos o acaso, o erro irreversível, o dissonante e isso é o que temos de melhor. A lua. O fim não é necessariamente o fim, sempre tem alguém para começar algo novo. A lua.
Um dia, alguém há de entender esses anseios e saberá matematicamente decifrar cada palavra, cada significado que está escondido em uma letra. Os símbolos e as metáforas existem para serem usadas até a exaustão, é o seu dever me servir. Engolir o cósmico, engolir as metáforas que eu não sei criar, engolir um pedaço de pão, a morte que circula. Chega. São sempre os mesmos pontos, que eu não percebo e ele rechaça por serem assíduos demais, acusam-nos de entrarem na frente das palavras mais importantes. Um assassinato das últimas palavras, os pontos não podem ser raros, mas sim contínuos e ininterruptos. Me corrompo? A lua.
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segunda-feira, 28 de setembro de 2009
Distorção
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quinta-feira, 6 de agosto de 2009
Sobre o nada
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terça-feira, 16 de junho de 2009
Decodificando humildade
A humildade sempre esteve qualificada como virtude, mas, Baruch de Espinosa, nos propôs outra leitura sobre humildade, que seria no caso o poder de nos ocultar diante de nossas potências, de esconder e disfarçar nossas qualidades e realizações. Hoje entendemos como humilde àquela pessoa que fica sem graça ao ser elogiado por um atributo que lhe é merecedor, como se não fosse digno de um elogio. Espinosa diz que esse comportamento é autodepreciativo e rebaixador e que não devemos esconder nossas habilidades, e de nenhuma maneira isso seria um sinal de soberba. O individuo soberbo é aquele que necessita de elogios e considerações quando realiza um feito. Ter plena consciência de nossas capacidades não nos reduz a indivíduos egoístas e arrogantes, pelo contrário, nos faz conhecedor de nossas limitações.
Quando nos conhecemos temos a capacidade de identificar quais são nossas maiores disposições para a feitura de um bom trabalho e, desta forma, acabamos por reconhecer, até mesmo de forma maniqueísta, o que não sabemos e temos dificuldade de aprender. Os limites entre humildade e soberba são tênues, mas facilmente apreendidos quando admitimos quais são nossas limitações.
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quinta-feira, 7 de maio de 2009
A náusea

Se alguém me perguntar do que se trata o livro “A náusea”, de Jean-Paul Sartre, certamente não saberia responder. Acredito que determinadas histórias e sensações são praticamente impossíveis de se descrever. Antoine Roquentin, o personagem principal do livro, faz comentários valiosos sobre algumas coisas da nossa existência, que na maioria das vezes passam por nós despercebidos; Às vezes não notamos que existimos, pois caso notássemos, sentiríamos o fardo peso que carregamos dentro de nós. Penso que vamos “levando” nossa vida quase que mecanicamente. Só compreendemos que existimos quando transborda nossas inquietações e elas se esparramam no chão. Pensamos que temos hábitos e manias e esquecemos que são os hábitos que nos fazem escravos do funcional e não ao contrário.
Devemos escolher o que queremos pra nossa vida: narrá-la ou vivê-la. Roquentin diz que o homem é sempre um narrador de histórias, das suas e a dos outros; Não sei qual das duas opções é a mais difícil, talvez viver exija mais esforço. Mas certamente não é possível ser tão maniqueísta a ponto de escolher apenas uma alternativa, é por isso que somos surpreendidos pela tal náusea; Vivemos em espiral sem perceber que nós somos a própria náusea e se pudéssemos, vomitaríamos nossa existência.
No livro “Idade da Razão”, Sartre diz que existir é beber a si mesmo sem sede.
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segunda-feira, 27 de abril de 2009
Les chemins de l'art
Hoje, encontramos exposições de arte que interagem com o público, e que pode até mesmo ser interferido por quem aprecia. Acabaram-se as correntes artísticas e escolas que homogeneizava o estilo. Todas essas interrogações podem ser explicadas com o advento da era moderna, que acabou por extinguir as fronteiras. Escrever a história da arte até o presente é uma atividade complexa, pois a liberdade de experimentação deixa cada vez mais difícil concentrar em um só “ismo” todas as novas propostas e tendências do século XXI. Torna-se impossível escrever cronologicamente a história da arte e o caminho seguido pelos artistas, que trabalham de forma individual e mais voltados para balbúrdia midiática do que para as sensações que suas obras podem causar em quem as aprecia. Assim como todos os objetos se tornam comercializáveis pela mídia, a arte se tornou mais um produto nas imensas e globalizadas prateleiras.
Obviamente que existem magníficas obras contemporâneas, que são dignas de ser chamadas de arte e sabemos que elas acompanham a ciência, tecnologia e o pensamento que envolve essa época e, ao mesmo tempo, serve como uma válvula de escape desse turbilhão sufocante de informações. A arte não deixa de ser uma expressão e registro dos valores que predominam num determinado período. Não é apenas o clássico que merece ser reverenciado, pois cada escola, dentro do seu tempo, também quebrou barreiras e tabus e instalou na sua época, formas e técnicas que eram deveras chocantes e irreverentes.
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quarta-feira, 8 de abril de 2009
Les quatre saisons
O Inverno, bem diferente do Outono, é fértil, criativo e preguiçoso. Eu só sinto saudades! Lembro dos ventos e dias frios que senti. Nessa época quero ir a Tinguá, mas no próximo, quero ir a Serra do Roncador, ver o que ficou perdido por lá e sentir a energia da natureza.
A Primavera é alegre, cheia de cores, reuniões e histórias para contar, me lembra os queijos e vinhos que já degustei. Adoro sentir a primavera, o espírito das flores, o cheiro das cores e a invasão da beleza nas ruas cinza. Não tenho muitas lembranças da primavera; Nunca fui a Paris.
No verão, me encolho como se estivesse com frio, ele é tumultuoso e suado. Tem muita gente aglomerada em espaços pequenos e mesmo que seja amplo, nunca há espaço suficiente para todos nessa estação. Então, eu me recolho. Os sons são ensurdecedores, há pânico e alvoroço na cidade, isso me causa náusea. O verão é o período transitório das belas bundas e dos braços fortes, tudo o que não interessa aos meus olhos cansados.
Mas termino falando do Outono, onde pareço ser acometida por sensações típicas; Ora sou uma folha leve caindo no chão, ora sou fria e café como o Inverno, bastando para isso, os ventos fortes dessa estação.
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quinta-feira, 19 de março de 2009
O anticristo
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segunda-feira, 9 de março de 2009
Empréstimo de livros
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quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009
O oportunismo sofístico e a transferência da Ágora grega
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terça-feira, 10 de fevereiro de 2009
Shivaísmo antigo e vegetarianismo
Enfim, cada um para de comer carne por um motivo. É melhor não comê-la mesmo.
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Mohenjo-Daro
Para ver mais imagens de Mohenjo-Daro clique aqui:
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sábado, 27 de dezembro de 2008
O sonho
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quarta-feira, 17 de dezembro de 2008
Assassinaram o grão
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quarta-feira, 10 de dezembro de 2008
A dança

Nunca gostei muito de dançar as músicas que tocam em ambientes sociais. Não gosto de ir a ambientes sociais, pois me soa muito anti-social. Gosto de ir a lugares que sou bem-vinda e que minha presença não seja só um número ou representando uma instituição. Mas eu queria falar da dança. Gosto de dançar poucas coisas. Gosto de Cordel do Fogo Encantado, Uakti, Maracatu Nação Estrela Brilhante. Dançar é de saia. Dançar é transcedental e é o Deus ao mesmo tempo.
Quando danço, meu corpo é espírito e já não sei para onde vão meus pés. Eu gostaria de dançar num quadro do Matisse.
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segunda-feira, 1 de dezembro de 2008
O roubo da Lótus Violeta
Mas reparem:
http://demasiadamenteinsana.blogspot.com/2008/10/esttica-da-iluso.html
Olhem o Blog e depois olhem este outro blog, que supostamente é autora:
http://lotusvioleta.blogspot.com/
Percebe-se a semelhança de linguagem entre os blogs e os acentuados erros ortográficos. Além das mesmas imagens...
Além do texto, a lótus roubou fotos da minha amiga Marília e se passa por ela para assinar as mediocridades... ou melhor, os textos roubados de terceiros.
É uma pena....
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segunda-feira, 17 de novembro de 2008
No quadro de Magritte.
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sexta-feira, 17 de outubro de 2008
Yoga x Ginástica
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sexta-feira, 10 de outubro de 2008
O riso
É possível identificar no riso as diversas facetas do homem. O riso guarda uma dualidade infinda, pode significar tanto miséria como a superioridade do homem em relação ao outro e a natureza. Se observarmos com olhos atentos a significação do cômico, podemos perceber que nada mais é do que a imitação dos piores. Baudelaire ressalta no livro ‘Escritos sobre a arte’ que o riso humano está intimamente ligado à degradação física e moral e nos atenta que o riso é uma das expressões mais freqüentes da loucura.
Podemos citar aqui um exemplo vulgar de que o riso pode ter um caráter diabólico: quando uma pessoa cai no chão ou tropeça é visível e unânime às risadas dos transeuntes. No fundo do nosso pensamento, mesmo que inconscientemente pensamos que são os nossos pés que estão fincados no chão, nós somos mais atentos e caminhamos direito.
Não estou propondo que não rir seja a melhor atitude, mas sugiro um pouco mais cautela antes de fazer do seu riso algo monstruso e maléfico.
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quinta-feira, 9 de outubro de 2008
Ser pós-moderno
O projeto de humanidade do Iluminismo é de fato muito bonito e atraente, mas também foi utópico demais. A crença no homem e no progresso econômico e tecnológico não transforma a humanidade em comunidade. Octavio Paz fala que a pós-modernidade começou quando a sociedade se deu conta de que fracassaram exatamente por este excesso de razão, que a ciência não trouxe resposta a todos os anseios de uma civilização cansada de tanto pensar.
Esta suposta pós-modernidade trouxe o reencantamento do mundo, com novas seitas esotéricas e livros de auto-ajuda. O que pressupõe uma recaída mística, assim como na Idade Média, as religiões tradicionais já não atendem ás necessidades desta nova geração.
Mas chamar esta recaída de pós-modernidade já é um exagero. A passagem de uma era para outra é lenta. Ser pós-moderno é mais um chavão cheio de significados que não significa nada; valor semântico: zero.
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segunda-feira, 11 de agosto de 2008
Jainismo e criação do Universo
Este trecho foi tirado do livro "A dança do Universo".
Aqui explica como os Jainistas concebem a criação do Universo.
Alguns homens tolos declaram que o Criador fez o mundo.
A doutrina que diz que o mundo foi criado é errônea e deve ser rejeitada.
Se Deus criou o mundo, onde estava Ele antes da criação?
Se você argumenta que Ele era tão transcendente,
e que portanto não precisava de suporte físico, onde está Ele agora?
Nenhum ser tem a habilidade de fazer este mundo —
Pois como pode um deus imaterial criar algo material?
Como pôde Deus criar o mundo sem nenhum material básico?
Se você argumenta que ele criou o material antes, e depois o mundo,
você entrará em um processo de regressão infinita.
Se você declarar que esse material apareceu espontaneamente, você entra em outra falácia,
Pois nesse caso o Universo como um todo poderia ser seu próprio criador.
Se Deus criou o mundo como um ato de seu próprio desejo, sem nenhum material,
Então tudo vem de Seu capricho e nada mais — e quem vai acreditar numa bobagem dessas?
Se Ele é perfeito e completo, como Ele pode ter o desejo de criar algo?
Se, por outro lado, Deus não é perfeito,
Ele jamais poderia criar um Universo melhor do que um simples artesão. (...)
Se Ele é perfeito, qual a vantagem que Ele teria em criar o Universo?
Se você argumenta que Ele criou sem motivos, por que essa é
Sua natureza, então Deus não tem objetivos.
Se Ele criou o Universo como forma de diversão,
então isso é uma brincadeira de crianças tolas, que em geral acaba mal. (...)
Portanto, a doutrina que diz que Deus criou o mundo não faz nenhum sentido.
Homens de bem devem combater os que crêem na divina criação,
enlouquecidos por essa doutrina maléfica.
Saiba que o mundo, assim como o tempo, não foi criado, não tendo princípio nem fim (...)
Eterno e indestrutível, o Universo sobrevive sob a compulsão de sua própria nat
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segunda-feira, 4 de agosto de 2008
segunda-feira, 21 de julho de 2008
Comida viva!
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segunda-feira, 7 de julho de 2008
Arte oriental hindu
Para conhecer mais vá até ele: Índia Antiga
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Fotografia é arte?
Por muito tempo me questionei se fotografia era arte, muitos tentaram me convencer de que era e finalmente descobri que sim. Sem dúvida este é um questionamento ultrapassado, mas eu sou ultrapassada, tradicional e um tanto redundante. Já li um texto que abordava a questão se todos os fotógrafos virassem pintores, o que de fato aconteceria. Os demais pintores iriam espernear um pouco, mas a Estética acabaria sendo aceita com o tempo. Quando vi os trabalhos de Pandiyan acreditei que é possível uma foto ser uma obra de arte. Então vou dedicar algumas postagens para a publicação dessas fotos.
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terça-feira, 1 de julho de 2008
Globalização
Duke of Bedford, "Torre de Babel"
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terça-feira, 3 de junho de 2008
Uma gota de Rousseau
O homem no seu estado de natureza não tem o que temer. Ele aprende com o natural e não precisa se opor a natureza, caso contrário o homem está traindo a natureza e sua real condição. “Conhecendo tão pouco a natureza, e harmonizando-se tão mal sobre o sentido da palavra lei, seria bem difícil encontrar uma boa definição da lei natural”.
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sexta-feira, 16 de maio de 2008
Meu nome não é Flor
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quarta-feira, 14 de maio de 2008
O que houve?
Tudo isso já me foi dado por um Deus que nunca vi
Mas que se materializa em sonhos.
Tudo isso que se apresenta em mim eu já vivi.
A história sempre me repete.
A mesmice sempre me surpreende na porta.
E eu estagno nesse seu calendário tão imperativo.
Completamente tocada pela esquizofrenia
Eu calo os meus versos
Que é pra você não me perguntar depois o que houve.
Eu houve!
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Uma questão de sombra
Olhar para dentro de si e examinar o que estamos pensando é primordial para não cometermos injustiças, pois a sombra não é apenas uma sombra, é outro.
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terça-feira, 13 de maio de 2008
Criatividade nas bordas
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Maquiavélico
No livro “O Príncipe” de Maquiavel, ele se concentra, não tão especificamente sobre as indicações de como ganhar o poder, como mantê-lo e por que se perde. Maquiavélico, já virou adjetivo, como sinônimo de uma pessoa má e perversa, mas na realidade, para Maquiavel, na vida política não há o bem nem o mal. Esses dois conceitos devem ser dissociados, pois mesmo a pureza das intenções é capaz de todos os crimes. Ele não condena o uso da força, quando uma lei não é capaz de manter a ordem. Mas se os meios justificam os fins...
No primeiro capitulo Maquiavel distingue os vários tipos de Estado e como eles são constituídos. Mas de acordo com a sua época, há os principados, que são passados de forma hereditária, e os principados que são fundados recentemente. Para manter os Estados herdados, onde os súditos estão habituados a obedecer à determinada família reinante, é preciso evitar transgredir as leis e os costumes tradicionais. Quando o príncipe tem menos motivos para ofender seus súditos, mais querido ele é por eles, assim como para com as massas. É preciso que o soberano não seja odiado, pois quando o é, correm sérios riscos de ameaça.
Quanto às monarquias mistas, Maquiavel diz que as dificuldades aparecem nas monarquias novas. A tendência é que mudemos de governante ciclicamente, afim de melhorias, e quando percebemos que a mudança foi pra pior, há uma descontentação em massa. O resultado para o soberano, é a coleção de inimigos. Maquiavel diz: “O soberano fará, assim, inimigos – aquelas pessoas injuriadas com a ocupação do seu território – e não poderá manter a amizade dos que o ajudaram na conquista do poder, por não lhe ser possível satisfazer suas expectativas”. Por isso é que o soberano precisa contar com a população de um território para poder dominá-lo. O uso do exército, apenas, não é suficiente.
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quinta-feira, 17 de abril de 2008
Sun Tzu
Na relação com seu inimigo, é essencial que você dissimule sempre. Não se deve falar ao inimigo o que você conhece. Pois quem realmente conhece, não fala. Mas não o ignore. Pois se você o ignora e ignora a ti mesmo, colecionará derrotas. Ele fixa que a guerra é algo muito importante e cansativo por isso é preciso uma preparação reflexiva, avaliando: Influência moral, o clima, terreno, comando e doutrina. Para os orientais é importante valorizar o tempo e a experiência. Aparentar simulação, incapacidade e desordem, é uma ótima cilada para capturar o inimigo, além de atacá-lo onde ele não estiver preparado. “Quando o trovão ribomba não há tempo para se taparem os ouvidos, pois mesmo que nos venha a descobrir, já não disporá de tempo para estudar suas defesas e nós os venceremos”.
Sobre os inimigos, Sun Tzu, nos alerta para aqueles denominados de franco-atirador. Têm inimigos que não tem nada a perder. Um exemplo atual desse inimigo são os homens-bomba. É melhor temer, porque ele capaz de qualquer coisa para te destruir.
Sun Tzu ressalta em diversos capítulos que o objetivo da guerra é a paz. Assim como a vitória. Mas ela deve ser rápida, pois as tropas ao se cansarem, ficam com a moral baixa, saudades de casa. Além de custar muito caro às reservas estatais. “Nunca houve uma guerra prolongada com a qual qualquer país tenha se beneficiado”. As tropas devem levar seus equipamentos e contar com o abastecimento do inimigo, para não altar alimento. Sun Tzu conta que houve uma batalha em que o general destruiu todas as panelas e alimentos, e mandou a tropa atacar o inimigo bem cedo e para depois sentar-se a mesa do inimigo e tomar o café-da-manhã.
No terceiro capítulo, trata-se dos planos de ataque. Onde a melhor política é atacar um estado sem destruí-lo. Pois o arruinando, seu valor diminui. Assim como é preferível capturar o inimigo a destruí-lo. Pois estes podem ser no futuro, seus aliados. O principal objetivo deve ser atacar a estratégia do outro. Aqueles que têm habilidade na arte da guerra dominam sem destruir. Não é preciso saquear cidades, destruir toda a tropa. “Porque obter uma centena de vitórias numa centena de batalhas não é o cúmulo da habilidade. Dominar o inimigo sem o combater, isso sim é o cúmulo da habilidade”. Mas isso não impede que se destruam quando se faz necessário. O exército precisa estar bem comandado pelo seu general. Um exército confuso conduz o adversário à vitória. Perceber se há condições de enfrentar é um dos passos.
Sun Tzu aponta três pontos para o caminho da vitória:
· “Conhece-te a ti e o teu inimigo e, em cem batalhas que seja, nunca correrás perigo”
· Quando te conheces, mas desconheces o teu inimigo, as tuas hipóteses de perder e ganhar são iguais”
· Se te desconheces e ao teu inimigo também, é certo que, em qualquer batalha, correrás perigo”.
Perceber a disposição das tropas é indispensável. Aguardar o momento fraco do inimigo torna os guerreiros invencíveis. A invencibilidade está defesa assim como a vitória está no ataque. Os cinco principais elementos da arte da guerra, por Sun Tzu é: A noção de espaço. Isso significa conhecer bem o terreno onde se planeja a batalha. Averiguar se é vantajoso e acessível a sua tropa e a tropa inimiga. Avaliação das quantidades. Verificar os números. Comparar vitórias. Calcular o grau de dificuldade do terreno inimigo e o número de homens que o adversário dispõe. Os cálculos. Também explicado anteriormente. Comparações. Isso propõe comparar o número de homens de cada lado, comparar vitórias, etc. Possibilidades de Vitória. Saber exatamente quais são suas chances de ganhar a batalha. Ninguém entra numa guerra para perder. É preciso avaliar se você tem todas as condições de enfrentar o inimigo. As possibilidades de vitórias vêm acompanhadas dos cálculos e comparações. “O exército é como água, aproveita-se da distração do inimigo, ataca-o onde não é esperado, evita-lhe a força e atinge-o onde ele não pode se defender”. Mas é importante que não entre na batalha considerando que o inimigo não é bom.
Sobre o controle do general para com suas tropas, Sun Tzu diz que controlar muitos é como controlar poucos. Depende apenas da organização da tropa e da autoridade e respeito que o general impõe sobre os seus subordinados. A boa manutenção dos sinais é indispensável. Como todo o batalhão não conseguirá ouvir um, é preciso que haja uma comunicação com os mesmos, através de sinais. Estas se faz com bandeiras, que orientam o exército. No mesmo capitulo, Sun Tzu diz que se um exército deseja simular desordem para atrair o inimigo, é preciso ser altamente disciplinado, para saber simular confusão. Porém na guerra não há regras fixas. Elas precisam ser talhadas conforme as circunstâncias. Pois a própria guerra é cíclica. “Porque acabam e recomeçam; são cíclicas como o mover do Sol e da Lua. Nascem e renascem; são periódicas como as estações, que se sucedem”.
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Caso Isabela
Assimetrias culturais e o kit sofrimento
Por Ivo Lucchesi em 8/4/2008
Tenho plena consciência de que o tema a ser abordado pode carrear, para a imagem do articulista, alguma carga de antipatia. Todavia, assumo o risco em favor de um pensar cujo propósito tenta, mesmo timidamente, contrapor-se a uma tendência que, segundo parece, se torna um paradigma no comportamento da classe média brasileira no lidar com tragédias do cotidiano, com base num estímulo ditado pelos veículos de comunicação (impressos e eletrônicos).
Ao repassar, na memória, ocorrências irmanadas pela marca da violência urbana, há décadas, proliferantes nas principais capitais brasileiras, algo parece apontar para um roteiro que já não esconde a "clicherização". Sem recorrer a pesquisas, a memória registra a morte da adolescente Gabriela, assassinada no interior de uma estação do metrô (RJ), por conta de uma troca de tiros entre policiais e bandidos. Outro caso, também no RJ, comoveu o Brasil: o menino de seis anos, João Hélio, arrastado por um carro, ao longo de 7 km. Recentemente, o assassinato da menina Isabella.
Os três casos relatados (afora outros não mencionados), resguardado o respeito a todos os vitimados, apresentam algo em comum o que me causa certo desconforto. A procedência do mal-estar tem dois vetores: 1) o comportamento da mídia; 2) a reação dos vitimados. No tocante ao primeiro, é indisfarçável o ímpeto da mídia em explorar a comoção do público receptor. O tratamento jornalístico de tais fatos é visivelmente contaminado por enfoques novelísticos. No que diz respeito ao segundo, fica evidente a incorporação de tensões típicas de como se absorve a emocionalização com a qual se configuram conflitos novelísticos.
"Modelito" pronto?
Semelhante avaliação a fez Rosely Sayão no artigo "A sociedade do espetáculo" (Folha de S. Paulo, 06/04), quando se fez presente à missa de sétimo dia na Paróquia Nossa Senhora da Candelária:
"O padre começa a missa pontualmente, não sem antes exigir que todos da mídia se concentrassem no local reservado. Pelo lado de fora da igreja, cheguei à frente. De lá, vi o altar repleto, com crianças com menos de seis anos que brincavam, corriam, conversavam. Pais as fotografavam com celular.
Passei a sentir um mal-estar. Olhava para o público e não identificava expressões visíveis de dor, sofrimento, indignação, espanto. Foi mais resignação o que vi estampado nos rostos presentes. Alguns choram silenciosamente. Os demais cantam, batem palmas, oram.
A comunhão ocorre enquanto uma jornalista escova os cabelos e ensaia a entrada que fará ao vivo /.../".
O depoimento da colunista é preciso na captura de algo estranho a habitar o imaginário societário, pautado pela contaminação midiática que parece arrastar todos ao "culto do evento".
O que tento configurar (sujeito a um olhar deformado) é o fato de, em todos os casos, perceber um "roteiro" no qual se dá encadeamento previsível, a exemplo do formato das novelas. Tentarei dar concretude ao que pode parecer algo abstrato e impressionista.
Há um fato de dimensões trágicas. Seqüência 1: a mídia dá plena visibilidade. Seqüência 2: a família vitimada concede entrevistas a todos os veículos (impressos e eletrônicos). Seqüência 3: a mídia relata, passo a passo, as investigações. Seqüência 4: a missa de sétimo dia: ao acontecimento, todos os familiares comparecem com uniforme: malhas que, no peito, estampam a foto e o nome do ser vitimado. Seqüência 5: à saída da missa, entrevistas. Daí para frente, o enredo tem igual desfecho: alguém funda uma ONG em homenagem à vítima. Fico a imaginar quem, na família vitimada, ainda sob intensa dor da perda se preocupa em providenciar malhas estampadas. Encomendar, pagar, buscar, distribuir... Será esse o "modelito" já pronto para tais situações? Por outra, o "modelo" combina com o esgarçamento subjetivo que o sofrimento imprime às vítimas?
Um tipo perverso de "compensação"
No mais recente caso, o repórter do programa de TV Aqui e Agora (SBT, edição do último sábado), estava à porta do edifício onde reside a mãe, Ana Carolina, que, no sábado, completava 24 anos. Ela desce as escadas, com semblante levemente suave, devidamente uniformizada (a malha com o nome e a foto da filha), e encontra populares, com cartazes, aos prantos e aos gritos. O repórter aborda a mãe e pergunta-lhe, após saber que já existia uma ONG: "Ana, quais são os próximos eventos?" A mãe, ainda tomada pela dor, responde: "Olha, não sei, mas estamos pensando em mais outras coisas /.../."
A pergunta do repórter não poderia ser mais infeliz e, ao mesmo tempo, reveladora de como a mídia se comporta ante a tragédia que "decora" o cenário da vida. "Eventos"? Será a morte, em circunstâncias tão injustas e perversas, "produto" para alimentar imaginário marqueteiro? Por outro lado, a classe média brasileira terá caído na "armadilha midiática" de um certo (errado) jornalismo que não esconde sua filiação "publicitária", capaz de transformar a dor em produto de venda? Estamos, culturalmente, muito mal. Em tempo: a avaliação não tem nada a ver com instância política. Por favor, nenhum leitor queira considerar que a presente crítica tenha a ver com "governo Lula". Não, o buraco é muito mais embaixo. A questão de fundo não diz respeito a políticas culturais e educacionais de ordem governamental. Estas atuam em outros setores. O problema mesmo tem a ver com "modelagem midiática" e "sistema educacional" na dimensão cotidiana. Quais são os "agentes midiáticos e educacionais" que, de modo efetivo, se tornam responsáveis pelo grau de deformação, em função do que noticiam e do que ensinam.
A questão tem suas raízes no conceito de educação e de cultura, as quais, por sua vez, também não se referem a políticas governamentais. Há algo no imaginário populacional brasileiro que está fortemente transtornado por conta de um paradigma midiático para o qual boa parte da população escolarizada presta devoção e, sem perceber, reproduz o modelo em suas vidas. Há uma espécie de "kit sofrimento" com o qual os seres vitimados pela dor da perda promovem a reprodução automática de uma "roteirização" para a qual, em algum grau, a mídia contribuiu. Esclareça-se que não são apenas malhas estampadas e ONGs. Proliferam, também, associações para famílias traumatizadas por fatos similares. A mídia tende a tratar os seres vitimados como novas "celebridades", sugerindo, para os seres acometidos pelo sofrimento profundo, um tipo perverso de "compensação", ou seja, "já que você está sofrendo, então console-se com a "popularidade de sua imagem".
Jornalismo não-investigativo
O dado aponta para outro aspecto: o cidadão brasileiro não está preparado para suportar a dimensão subjetiva de sua própria dor. O que isto pode significar? De onde provém tamanha fragilidade emocional? Que fatores estarão conformando o imaginário brasileiro, de modo a gerar a preferência por "estrutura narrativa clicherizada", somada à "padronização estética", em prejuízo das vivências subjetivas mais profundas e intransferíveis? Por que a dor individualizada nos assusta tanto? O que se verifica, progressivamente, é uma espécie de "subjetivação midiatizada" (ou "subjetividade midiatizada"), redundando em "fenômeno invertido".
Dois programas dominicais prometeram "revelações esclarecedoras" quanto ao "caso Isabella": o Fantástico (Globo) e Domingo Espetacular (Record). Bem, nem o primeiro exibe fatos "fantásticos", nem o segundo expõe algo "espetacular". O que une os dois é apenas a exibição de programas aos domingos.
Os dois programas dominicais apenas investiram na estratégia da "reativação", com o intuito de envolver, emocionalmente, o contingente populacional no "acontecimento". Sob o ponto de vista jornalístico, nenhum dos dois foi capaz de oferecer ao receptor nada de especial. Ninguém indagou ao pai ou à madrasta por que há manchas de sangue no carro da família. Ninguém procurou apurar por que um pai, após ver uma filha estendida, seis andares abaixo, num jardim, vai tomar banho no apartamento da irmã.
O sentido de democracia
Como pai, tento imaginar-me em tal situação. Jamais, elegeria, como prioridade, tomar banho. Enfim, o tal "jornalismo investigativo" é, no mínimo, risível (Globo ou Record). O que, a rigor, a modalidade televisiva promove é uma "recepção excitada" cujo efeito consiste em vivenciar as tragédias do cotidiano na mesma sintonia com a qual o receptor acompanha as "tensões ficcionais", codificadas pelo "formato semiótico" que alimenta a "estética novelística". O problema é que, na reiteração de coberturas dessa ordem, o receptor brasileiro vai turvando, progressivamente, a relação entre "verossímil", "verdade", "lógica" e "realidade". A conseqüência quanto à competência cognitivo-perceptiva não é pouca.
Paralelamente, virando a câmera para outro quadro, permanece o embate entre ciência e religião: a CNBB inibe o poder judiciário quanto ao veto para a liberação de tratamentos à base de "células-tronco embrionárias". Diz-se que o Estado brasileiro é laico. Todavia, os fatos não ratificam essa avaliação. Em Estado verdadeiramente laico, é compreensível que doentes, devotos de crença "x", tenham seu direito preservado e doentes, devotos de crença "y" (ou de nenhuma crença), possam decidir sobre o destino de suas vidas (e de suas mortes). Não é o que os fatos atestam. A mídia, entretanto, em relação a essa questão, não se empenha em contemplar as diferenças. Ao contrário, a mídia trata a questão com timidez que beira a subserviência. Que tal injetar-se mais ousadia na abordagem do tema? Numa avaliação de quem tenta cultivar um olhar criticamente distanciado, sou levado a crer que a maior parte da mídia e expressivo contingente do imaginário social da classe média brasileira estão aquém da astúcia com a qual o governo federal conduz os destinos da nação.
Outros temas polêmicos acusam iguais distorções. Em matéria de primeira página, a Folha de S.Paulo (06/04) estampava resultado da pesquisa Datafolha, concluída em março: "Cai apoio à pena de morte; 68% rejeitam aborto". Que ótima, a primeira! Que lástima, a segunda! Os dados apontam para uma espécie de instabilidade ética. O grupo que repele o direito de o Estado matar em nome da justiça é o mesmo que não reconhece o direito de a própria mulher decidir sobre o uso de seu corpo e do destino a ser dado à sua vida. 45% também são contrários à união civil entre pessoas do mesmo sexo. Não se trata de princípio em favor à preservação da vida. Pena de morte e aborto implicam situações distintas. A pena de morte é uma oficialização coletiva. O aborto é uma escolha individual que é motivada por histórias pessoais específicas. A conclusão é a de que ainda somos pouco auto-determinados. Ainda não aprendemos, em profundidade, o sentido de democracia, de respeito às diferenças e minorias. A sociedade precisa compreender que o corpo pertence a quem o tem. Continuemos caminhando.
Postado por Flor Baez às 13:24 4 pedaços de pão Links para esta postagem
segunda-feira, 7 de abril de 2008
Unidade 731
A mídia em geral não mostra o que realmente acontece. O exemplo disso pode ser uma pesquisa feita com 30 “voluntários” para cura da AIDS. Nós não sabemos como esses voluntários são realmente recrutados. E não interessa para os veículos de comunicação ir contra o poder. Caminhando junto com eles os dois se tornam mais poderosos e conseguem facilmente manipular os indivíduos.
O efeito subjetivo da mídia é o anestesiamento. Não contextualiza nada. Tira a inteligência e compensa com ingenuidade. A superexposição e espetacularização das noticias faz com que não fiquemos mais chocados, como se aquilo tudo fizesse parte de uma realidade exterior a nós. Como se aquilo jamais pudesse acontecer com você e na redondeza onde mora. Assistimos o jornal como se fosse novela e assistimos à novela como se fosse o jornal. Isso mostra uma sociedade que já não consegue distinguir nada.
Postado por Flor Baez às 10:01 2 pedaços de pão Links para esta postagem
Estética do sentido e a estética da ilusão
A homogeneidade da sociedade faz com que o sistema continue em equilíbrio, centralizado e o poder não-ameaçado. O que vemos é que o poder insiste em controlar nossa subjetividade, voltando nossa atenção e nossos olhos para leituras que não desafiam o intelecto, reportagens facilmente digestivas e principalmente o consumo desenfreado e desnecessário. O vigor do sentido só pode ser recuperado se nos colocarmos numa posição contrária a todas essas formas de aprisionamento e redundância, que homogeneíza a sociedade. Antes o sentido fundava a existência das coisas, hoje o sistema mercadológico ocupou este lugar, sustentando o modelo de “sociedade creôntica”, onde as pessoas se alimentam de meras ilusões, incapazes de desenvolver uma consciência reacionária. Vêem jornal como se estivessem assistindo novela, e vêem novela como se assistissem ao jornal, isso mostra uma população que não consegue distinguir nada. E de repente somos assaltados por anúncios publicitários, que vem para afastar a realidade, e acabamos por oscilar entre a sedução publicitária e o fantasma do real. A subjetividade prospectiva pode ser alcançada por um modelo de leitura mais desafiador. O investimento em leitura produtiva é essencial para que a sociedade implante um modelo cultural crítico onde as pessoas além de cultivar o hábito da leitura, mas como foi citado anteriormente, uma leitura que necessite de total atenção para a compreensão dos signos e símbolos , que desafie o intelecto e o poder de criticidade. As escolas secundaristas que deveriam iniciar esse modo de leitura prospectiva deixam a desejar. E somente através desse modo de leitura que o individuo se qualificariam no processo educacional. Nessa sociedade pautada pela cultura do olhar, onde somos assediados a todo o momento com cartazes, outdoor, televisão, jornal, de fácil digestão, as pessoas dificilmente se interessam em ir além do poder de compreensão. Dá-se por satisfeitas com informações frívolas de baixo teor de conhecimento, e se sentem bem informadas. Essa seria a estética da ilusão que afasta o individuo de afiar sua subjetividade prospectiva. A estética do sentido seria uma forma de enfraquecer a subjetividade descentrada em detrimento da prospectiva.
Postado por Flor Baez às 09:59 2 pedaços de pão Links para esta postagem
Ufa!
Esse gosto de ferrugem que insiste em ficar
Esse gesto tão indigesto que você me fez
Essa história que um dia era uma vez.
Postado por Flor Baez às 09:55 2 pedaços de pão Links para esta postagem
Março
Pra não fazer
Pra não dizer
Pra não cansar
Queria mais um dia
Pra não pedir
Pra não ferir
Pra não esperar
Queria mais uma noite
Pra não chorar
Pra não dormir
Pra não sarar.
Antes minha dor
À sua ausência
Antes uma noite
Do que não mais.
O vento que hoje corre
Acelera os dias
Faz voar as noites
O vento que trouxe
Já levou as folhas
Já acabou o verão.
É março.
Postado por Flor Baez às 09:52 4 pedaços de pão Links para esta postagem
quinta-feira, 3 de abril de 2008
O rol das mazelas
Os casos de dengue só vêm aumentando no Rio de Janeiro, preocupando a população e os governantes, que por sua vez demoraram a assumir a condição epidêmica, que se agravou ainda mais com o caso de fortes chuvas e a falta de atenção das pessoas para os focos. Com os hospitais públicos e particulares sem leitos, os índices de mortes vêm subindo a cada dia.
O Estado do Rio de Janeiro teve que pedir ajuda ao Exército para atender as demandas de doentes, que o município, sozinho, não consegue atender. O ideal seria que todos os postos de saúde fossem bem equipados.
Não adianta aumentar o número de médicos e atendimentos se a população e governantes não se conscientizarem dos seus deveres e tarefas. O que vemos pela cidade é sujeira e falta de saneamento básico. Não sei se somos vitima da dengue ou do poder público. O adiamento com a preocupação do mosquito fez com que a epidemia se torne longe de ser resolvida. Ninguém assume a responsabilidade, ela é repassada do prefeito ao Presidente da República. Quantas pessoas ainda precisam morrer?
Postado por Flor Baez às 04:31 4 pedaços de pão Links para esta postagem
terça-feira, 1 de abril de 2008
ops
Depois de alguns meses sem internet e inacessível.
Obrigada pelos recados. Fico muito agradecida com com o carinho.
Voltei!
Postado por Flor Baez às 13:53 1 pedaços de pão Links para esta postagem
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008
Da arte
Da ciência espram-se descobertas, da técnica, progressos que facilitem nossa ação no mundo. Da arte não podemos tirar um ensimento tão últil e rentável. Nieztche disse que a arte é como um enfeite da existência. Um ornamento encarregado de trazer um pouco de fantasia a uma vida escravizada ao funcional.
Marc Jimenez
Postado por Flor Baez às 11:56 5 pedaços de pão Links para esta postagem
A coisa
Podemos até citar aqui alguma coisa de Descartes. Se meus sentindos me enganam o tempo todo, como posso acreditar na minha concepção de mundo? Instala-se uma dúvida universal, contestar até a própria existência. O meu eu migra até meu conhecimento?
Até para duvidar precisamos ter uma certeza, nem que ela seja a certeza de que dúvido.
É o pensamento que garante a existência das coisas. Não existe auto-suficiencia da razão. Se um indivíduo for isolado do convivio, da linguagem, ele não desenvolve a razão.
Quem duvida, que pesquise Kaspar Hauser.
As significações não são naturais. Nós as estipulamos. Cada um a sua maneira acredita a coisa em si. A vaca para um Hindu não tem o mesmo significado para um gaúcho. E com Kant já disse antes "Quando você vê uma coisa, você não vê a coisa em si".
Você conhece a coisa, mas não a essência dela, pois ela já foi deturpada pelo homem e sua
Postado por Flor Baez às 11:41 2 pedaços de pão Links para esta postagem
Analógico x Digital
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quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008
Última vez
É uma tristeza que invade meu coração. Algo que soa como: eu fiz tudo errado. Não aguento o ser repugnante que sou. Não aguento meus pensamentos de intolerância e insanidade.
Eu troquei tudo pelo livros, e deu tudo errado. Ou parcialmente.
Não consigo me relacionar com as pessoas, vejo-as como estranhas e ignorantes. Não consigo conceber um só ser humano como algo de luz. Todas as relações humanas são densas. Talvez seja próprio do mundo em que vivemos. Como eu queria algo de luz, muita luz. Onde as pessoas brilhassem, fossem justas.
Mas até em Deus, que seria o melhor companheiro, o mais cósmico e iluminado, na maioria das vezes não sinto sua presença. Faço um esforço danado para crer N'ele.
Mas concebo um Deus que não tem pernas, nem cabeça, não ouve todo mundo. O meu Deus é cósmico demais para atender minhas angústias. Quiça demais ocupado com um universo tão infinito.
Me sinto o ser programado para atender às necessidades das pessoas que me são queridas. Me sinto secundária demais. Apenas servir, servir, servir o outro.
Não aguento pessoas que se sentem dignas de julgar as outras. Somos todos iguais na mesma esfera.
Não há ninguém melhor do que ninguém. Somos apensas seres condensados nesse corpo que mais aprisiona do que liberta. Liberdade é metafísico demais para a nossa compreensão.
Hoje existe um rasgo, mas amanhã pode não existir mais.
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quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008
Breve apontamento sobre Olbinski
Me soa talvez muito sensato. Um surrealismo que sabe a causa do "ismo".
Muito lúcido. Muita insônia. Inquieto. Delirante. Ah! se posso repetir, prefiro o sensato.
Talvez aos olhos de quem nada sabe. O que sei eu das coisas? Não sou Fernando Pessoa e nem Sócrates. Mas seria muita pretensão fazer um julgamento de valor sobre algo tão sublime, tão sensitivo. Quiçá um equívoco. Um desvio da rota de colisão. Cada semana em que faço essa escolha, reparo depois de alguns instantes o quanto toda a contextualização das obras estão relacionadas àquilo com que venho pensando, sentindo, observando, vivendo, sonhando, imaginando e todos os outros 'andos' e 'endos' que deixamos no meio do caminho.
O belo está nos olhos de quem vê. O sentido está dentro de quem sente.
Postado por Flor Baez às 17:30 3 pedaços de pão Links para esta postagem
Cravo-da-índia
Postado por Flor Baez às 17:26 3 pedaços de pão Links para esta postagem
O inicio

Minha cortina se abriu!
e o que vejo é muito mais que um dia de sol.
Hoje é o presente que me dei.
Mergulhar na essência do dia sem me afogar nela.
Vejo pessoas caminhando,
ouço crianças gritando
vejo o trem passando,
e não tenho mais raiva do gerúndio.
Tenho raiva do tempo que deixei lá atrás,
das surpresas que escondi debaixo da cama,
dos sonhos que guardei pro jantar
Postado por Flor Baez às 17:19 2 pedaços de pão Links para esta postagem
terça-feira, 29 de janeiro de 2008
Árvores
Ficam plantadas no chão
Mamam do sol pelas folhas
E pela terra
Também bebem água
Cantam no vento
E recebem a chuva de galhos abertos
Há as que dão frutas
E as que dão frutos
As de copa larga
E as que habitam esquilos
As que chovem depois da chuva
As cabeludas, as mais jovens mudas
As árvores ficam paradas
Uma a uma enfileiradas
Na alameda
Crescem pra cima como as pessoas
Mas nunca se deitam
O céu aceitam
Crescem como as pessoas
Mas não são soltas nos passos
São maiores, mas
Ocupam menos espaço
Árvore da vida
Árvore querida
Perdão pelo coração
Que eu desenhei em você
Com o nome do meu amor.
Postado por Flor Baez às 15:51 4 pedaços de pão Links para esta postagem
Insanidade Irreverência Verdade Respeito Nine of ten
Seriedade Improdutividade Cordão Umbilical Admiração Árvores
Liberdade Calmaria Zen Família Outono
Postado por Flor Baez às 15:29 6 pedaços de pão Links para esta postagem
Schopenhaeur
Sua filosofia profundamente pessimista concebe a vontade como algo sem meta e finalidade. É um mal inevitável que gera dor. Se existe algum prazer, ele é momentâneo, pois é apenas ausência de dor, já que não há felicidade duradoura. “Viver é sofrer”.
Abaixo coloquei alguns pensamentos.
“Cada vez que respiramos, afastamos a morte que nos ameaça (...) no final, ela vence, pois desde o nascimento esse é o nosso destino. E ela brinca um pouco com sua presa antes de comê-la. Mas continuamos vivendo com grande interesse e inquietação pelo maior tempo possível, da mesma forma que sopramos uma bolha de sabão até ficar bem grande, embora tenhamos absoluta certeza de que irá estourar.”
“Se olharmos a vida e seus pequenos detalhes, tudo parece bem ridículo. É como uma gota d’água vista num microscópio,uma só gota cheio de protozoários, achamos muita graça como eles se agitam, e lutam tanto entre si. Aqui, no curto período da vida humana, essa atividade febril produz um efeito cômico.”
“Poderíamos que prever que, às vezes, as crianças parecem inocentes prisioneiros condenados não à morte, mas à vida, sem ter consciência ainda no que significa essa sentença. Mesmo assim todo homem deseja chegar à velhice, época em que se pode dizer: “hoje está ruim, e cada dia vai piorar até o pior acontecer.”
“A maior sabedoria é ter o presente como objeto maior da vida, pois ele é a única realidade, tudo o mais é imaginação. Mas poderíamos também considerar isso nossa maior maluquice, pois aquilo que só existe só por um instante e some como sonho não merece um esforço sério.”
“No fim da vida a maioria dos homens percebem surpresos que viveram provisoriamente e que as coisas que largou como sem graça ou sem interesse era, justamente, a vida. E assim, traído pela esperança, o homem dança nos braços da morte.”
“Poucas coisas deixam as pessoas tão satisfeitas quanto ouvir algum problema ou constatar alguma fraqueza em você.”
Postado por Flor Baez às 14:55 2 pedaços de pão Links para esta postagem
E cheiro de ferrugem
Estar só é muito mais que uma cama espaçosa.
A solidão tem jeito de inverno
Tem cara de ateu.
Estar só é muito mais que o silêncio no vácuo.
A solidão tem temperamento oscilante
E cor anil
Estar só é muito mais que um olhar atento.
Solidão é divina
quem sabe é essência.
Postado por Flor Baez às 14:51 2 pedaços de pão Links para esta postagem
Espetacularização da violência
Com o intuito de nos manter sob o controle (controle do medo), vemos diariamente noticiários de escândalos, catástrofes, assassinatos, guerras e acidentes espetaculares. Doses homeopáticas de insensibilidade são aplicadas aos telespectadores a cada bloco. Com a superexposição, a miséria tende a se tornar cada vez mais banal aos nossos olhos, e ainda assim temos a sensação de estar bem informados a realidade que nos cerca e um grande alívio por não fazer parte desta estatística do horror. Essa doença chama-se: “banalização do real”. O que vemos são pessoas sem autonomia para formar opinião, uma incapacidade em massa de desenvolver uma consciência reativa. Cremos que a realidade é exatamente esta que nos é apresentada. Longe de ser um espaço de conscientização e argumentação, a mídia vem desenvolvendo suas estruturas no conflito e na redundância. Seu papel se limita a informar, vender suas ideologias e produtos, ora a miséria da condição humana, ora os produtos mercadológicos.
Já é hora de repensar o papel dos veículos de comunicação e estipular critérios de conduta moral. A vida não pode ser banalizada e vendida de forma tão mesquinha. O individuo-espectador precisa de autonomia. Se entreter o público é oferecer o que ele deseja, então não há entretenimento. Há, apenas, submissão.
Postado por Flor Baez às 14:49 3 pedaços de pão Links para esta postagem
sexta-feira, 4 de janeiro de 2008
Crianças Índigos
- Elas vêm ao mundo com um sentimento de realeza e freqüentemente agem desta forma.
- Elas têm um sentimento de "desejar estar aqui" e ficam surpresas quando os outros não compartilham isso.
- Auto-valorização não é uma grande característica. Elas freqüentemente contam aos pais quem elas são.
- Elas têm dificuldades com autoridade absoluta sem explicações e escolha.
- Elas simplesmente não farão certas coisas; por exemplo, esperarem quietas é difícil para elas.
- Elas se tornam frustradas com sistemas ritualmente orientados e que não necessitam de pensamento criativo.
- Elas freqüentemente encontram uma melhor maneira de fazer as coisas, tanto em casa como na escola, o que as fazem parecer como questionadores de sistema (inconformistas com qualquer sistema).
E no meio dessa pesquisa superficial pelo google, encontrei um site que não lembro qual, que disse que há uma pesquisa nos EUA que comprova que 85% das crianças que nascem são crianças índigos. Ou eu nunca consegui identificar uma ou não entendo NADA de matemática. 85% é gente à beça. Se alguém conhece uma índigo ou entende de matemática dê-me um sinal!
Postado por Flor Baez às 12:11 3 pedaços de pão Links para esta postagem
Curiosidade Feminina
Talvez os católicos culpem a sensitiva Eva, que com toda sua sensibilidade ouviu o "psiu" da conselheira cobra. Ou talvez podemos culpar Pandora, que com sua curiosidade aguçada distribuiu os males à civilização. A verdade é que a mulher é sempre a culpada. A questão é saber o que seria tão destrutivo e ameaçador para os homens e para a civilização na curiosidade feminina?
A má reputação da mulher foi provocada pela Igreja, Eva ao convencer o inocente Adão a comer a fruta do conhecimento, foi responsável pela expulsão dois no paraíso e hoje somos todos os seres humanos fadados e herdeiros do pecado dos outros.
Mas como diz Barão de Itararé, depende de lado da porta do banheiro você está.
Cada um acredita no que for mais conveniente. Até não acreditar nada ainda é acreditar.
Postado por Flor Baez às 11:55 2 pedaços de pão Links para esta postagem
quarta-feira, 12 de dezembro de 2007
Vladimir Kush
Não sei como conseguiram esconder Vladimir Kush de mim por tanto tempo. Pessoas cruéis.
Não achei muitas coisas sobre ele por aqui. O que sei é que nasceu na Rússia em 1965! Olha só, temos um surrealista contemporâneo. Com aspectos fantásticos, delirantes e realistas, Kush trabalha mais no campo onírico. Suas obras são como sonhos que esquecemos.
Sei que não que devemos posicionar a arte em escalas hierárquicas, mas Kush realmente conseguiu ultrapassar muitos artistas, ao meu olhar. São espinhos e flores para os olhos.
Cores, luzes, flores
universo onírico surrealista.
Viva a contemplação!
Queria postar mais coisas, porém prefiro que visitem o site dele:
www.vladimirkush.com
Postado por Flor Baez às 12:44 4 pedaços de pão Links para esta postagem
segunda-feira, 10 de dezembro de 2007
Você conhece o segredo?
Uma boa forma de ganhar muito dinheiro com a inocência e a fraqueza alheia. O livro mostra o caminho da felicidade, só esqueceram de anexar o mapa. Qual utopia essa "filosofia" pertence eu não sei, mas está muito longe da Cidade do Sol de Tommaso Campanella. Sejamos sinceros, Brasil é um país que não lê. A leitura é uma atividade praticada por uma minoria, e não é por causa do preço dos livros. Essa desculpa não vale. Recentemente abriu uma biblioteca no metrô (RJ) na Central, com aluguel de livros gratuitos, nem preciso dizer que fica às moscas.
Mas "O segredo" é quase uma doença, aonde vou, tem alguém lendo ou comentando com você à respeito. Há uma grande diferença entre LEITOR E LEDOR. Quem lê "O segredo" é ledor, somente lê história. Leitor lê linguagem. Livrecos como estes ajudam a criar uma multidão de psicopátas. Pode acreditar.
O livro simplesmente quer vender um modo de vida americano. E qual é o país que têm diversos psicopátas que matam 8 e depois se suicidam???? Nem preciso dizer a resposta. O perigo está ai, para quem quer ler. O pior é que no site do livro ainda manda você espalhar o segredo.
Postado por Flor Baez às 14:06 1 pedaços de pão Links para esta postagem
sexta-feira, 7 de dezembro de 2007
Pessoas secas
O que é uma pessoa seca? Como seria essa pessoa? Me soa algo esquelético e moribundo.
Será que ser uma pessoa seca é não distribuir sorrisos gratuitamente a estranhos? E as pessoas molhadas como são? Queria tanto conhecê-las, tocá-las .
Será que pessoas molhadas trabalham melhor que pessoas secas? Tem mais agilidade? facilidade em aprender coisas?
Postado por Flor Baez às 14:26 2 pedaços de pão Links para esta postagem
quarta-feira, 5 de dezembro de 2007
Era uma vez
De onde virá esse sopro de vento salgado
que me aflige e molham meus olhos?
Dá um certo prazer ser esquecido
assistir as coisas como se elas não existissem
como se não se reiventasse em sua forma
Como se não esvairasse seu conteúdo
como se essa parte que me sobra
nada fosse além de mim
nada fosse além de seus olhos
nada fosse além do além.
Postado por Flor Baez às 15:52 0 pedaços de pão Links para esta postagem
Oui
Eu os esmago com acentos
de silêncio, de euforia feroz
congelados em minha retina
atados pelos nós
em que nós atamos,
abram-se as cortinas
assistam a esse triste espetáculo
um vácuo, uma piscina
que alguns chamam literatura.
Postado por Flor Baez às 15:50 0 pedaços de pão Links para esta postagem
Fazer o necessário
Só se pode encher um vaso até a borda -
Nem uma gota a mais.
Não se pode aguçar uma faca,
E logo testar a sua agudeza.
Não se pode acumular ouro e pedras preciosas,
Sem ter lugar seguro para guardá-las.
Quem é rico e estimado,
Mas não conhece a sua limitação,
Atrai a sua própria desgraça.
Quem faz grandes coisas,
E delas não se envaidece,
Esse realiza o céu em si mesmo.
Tao Te Ching
Postado por Flor Baez às 15:22 0 pedaços de pão Links para esta postagem
terça-feira, 20 de novembro de 2007
Esôfago
Minha boca silencia as palavras
Olho como quem cansou da paisagem
Meus dedos reproduzem os mesmos verbos
E meus versos vão se tornando repetitivos
como quem se cansou de escrever
Minhas folhas se cansaram desse outono
Os meus raios se despedaçaram com esse vazio
Minhas sementes são estéreis
e eu não me repito mais.
Eu não sou duas! e nem dias!
Eu sou um vórtice de energia
que se cansou de existir
dessa existência mesquinha que não passa de um relato.
Postado por Flor Baez às 09:08 3 pedaços de pão Links para esta postagem
Silêncio
Me toca.
O teu silêncio quando em outros,
Me espanta.
Teu silêncio quando me beija,
Me encanta.
Teus gritos, quanto barulho!
Me imponho...
Postado por Flor Baez às 09:03 0 pedaços de pão Links para esta postagem
Intestino Grosso
Somos apenas pontos interrogatórios
Sem nenhuma certeza ou imprecisão
Somos falsos humanos endeusados
Cheios de respostas em contra-mão.
Somo humanos viciados,
Em cartas, recordações e cigarros.
Somos cheios de defeitos encubados.
Cheios de silêncio e casos mal contados.
Estamos cheios é de existir
De uma existência mesquinha que não passa de relatos
Postado por Flor Baez às 09:02 0 pedaços de pão Links para esta postagem
Intestino Delgado
Fiz de mim o que não soube
E o que podia fazer de mim não o fiz."
Me desperdicei como uma torneira d’água.
Lá se vão as idéias...
E tudo que idealizei para um dia eu ser.
Mas acabo por não ser isso e ser,
Um dicionário de todos os quereres
Todas as conjugações de um único verbo
Todos os sonhos de uma única pessoa
Todos os vícios de um único corpo
Todos os homens do mundo num ser sem mim.
Postado por Flor Baez às 09:01 0 pedaços de pão Links para esta postagem
Experimentação 2
Meus versos escalafobéticos
Minha conversa tão sem consistência
Minha tristeza tão aguda e desnecessária
Meus passos tão cheios de pressa
Se eu entendesse por onde seus pensamentos vagueiam
Certamente não escreveria e nem mandaria pra ti.
Vivo uma saudade constante
Que exige de mim a mais perfeita liberdade
Não sei para onde estamos indo
Mas ao seu lado tudo me basta
Postado por Flor Baez às 09:00 0 pedaços de pão Links para esta postagem
Experimentação 1
Toda essa imposição que me machuca
Não vale sequer o meu grito.
Como se bastasse meu descaso
Sigo então sozinha.
Meus olhos já velados de tanta dor
Minha retina tão fatigada desse espelho.
Já não me suporto mais!
Apesar de veres sempre em minha face um sorriso
Dele não se brota minha alegria.
Os meus olhos já tão amargos não se encantam.
E o mundo já não existe mais.
Postado por Flor Baez às 08:54 1 pedaços de pão Links para esta postagem
Cansada de esperar?
Cansada de esperar.
Um corpo fatigado pelo tempo
Uma mente corroída por histórias
Estas, as mesmas!
E tantas vezes lida.
E eu por sinal, todas às vezes a escrevi.
Tudo me repete.
Novas pessoas
Velhas histórias
Mesmos finais.
Tudo me cansa!
Esses bares que me viram tédio
Essas pessoas que me soam as mesmas
Esses amores que não me rende nada,
Eu não lucro!
E eu nem sei onde investi.
Postado por Flor Baez às 08:52 2 pedaços de pão Links para esta postagem















































