quarta-feira, 16 de abril de 2014

A arte de saber esperar




Em mundo dominado pela pressa é cada vez mais comum nos pegarmos ensandecidos e desesperados pela imediatez.  Saber esperar é uma arte, aceitar que o tempo cronológico não caminha na mesma velocidade que os nossos anseios é um desafio que deve ser vencido diariamente. Quem não idealiza planos, sonhos e metas e fica esperançoso na realização imediata?! Bem que gostaríamos que num piscar de olhos as coisas acontecessem, mas a vida não é bem assim, e quem é guiado pela impaciência acaba se frustrando com mais facilidade e até mesmo desistindo dos seus sonhos por não saber esperar. 

Escrevo isso, pois sou uma das pessoas mais impacientes que conheço, e percebo que a paciência não precisa ser um dom de poucos privilegiados, ela pode ser trabalhada diariamente com uma respiração profunda e a consciência do momento presente. 

Esperar sentado, não. Esperar e trabalhar na concretização das metas é mais sábio, pois um dia todo o esforço pode ser compensado  e o sabor de sentir que atingimos o ponto de partida (ou o ponto de chegada), através de toda a labuta diária, obstáculos que a própria vida impõe, é sem dúvidas uma das maiores realizações que podemos ter. 

Nada é mais infrutífero do que lamuriar as condições e nada fazer para transformar a realidade.  Precisamos esperar porque toda a aprendizagem se encontra exatamente nas barreiras que esbarramos no meio da caminhada, e quando percebemos isso já teremos a sabedoria de saber que a estrada é a dinâmica da vida e a concretização da meta foi só mais objetivo alcançado de muitos que virão.

segunda-feira, 31 de março de 2014

Uma vida com propósitos





Vive melhor quem tem propósitos; ele nos deixa conscientes das nossas ações, sabe-se que algo ruim ou bom está sendo feito. Propósito é uma escolha.  Estamos fazendo escolhas a todo o momento, até mesmo quando julgamos não estar fazendo, elas acontecem através das nossas atitudes.  Podemos optar por levar uma vida mais simples, ou mergulhar na high life, ou ter um propósito, ou caminhar mediocremente, sem se comprometer com o mundo.

Chega um momento que precisamos refletir sobre que tipo de vida desejamos ter. Podemos nos render ao óbvio que conduz a maioria ou podemos ajustar as teorias que permeiam nosso imaginário com a nossa conduta e construir uma nova realidade, o nosso novo mundo.

Os fardos do passado devem ser abandonados para que um novo mundo possa surgir. Não transportar a carga de ontem com todo o seu apelo emocional e justificável é também uma maneira sábia de recomeçar, pois não é possível construir novos cenários se ainda não conseguimos de fato virar as páginas manchadas, rasuradas e velhas do passado.

Outro fator importante para a construção de um novo estado de vida é harmonia com o silêncio, encontrar a paz na solidão. Pois só existe clareza quando não temos o ruído.  E apesar de todo o paradoxo que envolve as teorias do silêncio, da quietude, ela é a base para o despertar da consciência, mesmo que não tenhamos concretizado de fato, sabemos de foro intimo as sendas do Caminho.

Seguir o nosso fluxo interior sem se preocupar com os tropeços que damos, com o julgamento dos outros. Foco na própria caminhada.

quinta-feira, 27 de março de 2014

11 coisas que você pode fazer para ser mais feliz e leve


Essa semana tenho feito muitas reflexões acerca da minha própria vida e de coisas que preciso mudar urgentemente para ser uma pessoa mais leve e feliz. A lista foi feita exatamente para mim e espero que sirva para vocês também. 

1.       Esqueça o passado
Para que possamos seguir adiante e encontrar novos caminhos para a nossa vida é essencial esquecer o passado e banir essa mania que temos de pensar em “como seria minha vida se...”. Esquece o se, esquece o passado. Aceite o fluir da vida como foi e não se apegue, sendo bom ou ruim. Trilhamos exatamente por onde deveríamos para o nosso aprendizado. Encerre os ciclos com sabedoria!


2.       Acredite nos seus sonhos
Temos planos, metas, sonhos e sempre tem quem venha colocar ou lembrar-se dos obstáculos que teremos de enfrentar para conquistar tal sonho. Priorize suas necessidades, não tenha preguiça, quando perder a força de vontade, volte a procurá-la. Infeliz é quem padece no mesmo degrau o resto da vida a lamentar o que poderia ter sido. O sonho tem a natureza palpável!

3.       Oportunidade se cria
Não espere que alguém ou alguma coisa aconteça para que você possa colocar em prática o que deseja. Ela até pode aparecer eventualmente, mas se você se mantiver imóvel nada acontece. Seja corajoso. Arrisque. Excesso de cautela não te leva a lugar nenhum, tem momentos que a vida pede mergulhos profundos, mudanças radicais, transformação.


4.       Não perca tempo com quem não faz sua alma vibrar
Quantas vezes mantemos relações duradouras ou esporádicas com pessoas que parecem sugar toda a nossa energia e vontade de viver?! Deixe as pessoas pessimistas de lado. Não se esforce para ser aceito entre lugares e pessoas que não vibrem com a sua presença. Aprenda a valorizar quem gosta de você e quem “perde” tempo saboreando sua presença e vice-versa.  Relacionamentos são para nos enriquecer, para trocar experiências e acima de tudo, para ser prazeroso.

5.       Seja você mesmo
Não tente ser quem você não é. Algumas vezes idealizamos o que poderíamos ser e o que resulta são máscaras em cima de máscaras que nos afastam da nossa essência. Além de alimentar o imaginário alheio e os julgamentos que farão sobre você. Seja autêntico com os seus ideais e aceite que estamos o tempo inteiro em transformação. Você não é, você está.  Se preocupe em ser feliz, e não em ser perfeito.


6.       Pare de competir com os outros
Ninguém é melhor do que ninguém. Cada um tem habilidades e dons que lhe são próprios. Não entre neste sistema ensandecido de que você precisa se destacar e ser melhor do que o outro. Supere a si mesmo e já está de bom tamanho. Coopere sempre, a troca é muito mais interessante do que a competição.

Competir ou Cooperar? 

7.       Pare de reclamar
Tenho uma amiga chamada Claudia que me ensina isso em todos os nossos encontros. E eu não consigo aprender. Mas é bom pra alma. Está sem dinheiro? Não fique repetindo que está sem dinheiro. Fique feliz com o que você tem e de preferência pare de lamuriar sua vida para as outras pessoas, ninguém gosta disso.  Quando bater uma vontade de reclamar da vida assista ao noticiário ou pegue alguém no ponto de ônibus e reclame a beça (e depois não faça mais isso).

8.       Não perca seu tempo se explicando para os outros
Tem muita gente que adora testar seus poderes argumentativos para nada. Então não dê ibope. Ignore. Trave debates apenas quando perceber que é enriquecedor para ambas as partes. Se for para agredir, saia de fininho.


9.       Valorize seu tempo
Reclamamos que o tempo é curto, que ele passa rápido por um simples motivo: não damos valor. Então perca seu tempo (que significa ‘doar’) com coisas que vão te tornar uma pessoa melhor. Seja seletivo nas companhias, nos livros, nas músicas que ouvir, nas festas em que ir. Tempo não é dinheiro, tempo é vida! Seja senhor do seu tempo!


10.   Você não está sempre certo
Certezas e verdades são coisas muito particulares e dependem da experiência de vida de cada um. Saia da esfera do próprio umbigo e tente ao menos entender que existem outras realidades além da sua. Outras verdades que podem não ter sentido para você, mas tem para outras pessoas. Não seja uma pessoa dogmática, dona da razão. Seja gentil, você ganha muito mais em afeto.


11.   Perdoe
Existem muitas formas de se perdoar e todas elas (em menor ou maior grau) trazem paz de espírito.  Pode dar uma segunda chance? Pode sim! Pode dar uma terceira? Sei lá.  Pode esquecer? Pode sim! Coloque em mente que tudo nesta vida são professores, que encarnam em certas pessoas e situações para nos fazer evoluir ou mudar a perspectiva dos nossos olhares. Quando não puder perdoar (que pena!), esqueça e siga em frente. O perdão cura!

Dentre outras coisas, você também pode ser mais feliz se: dormir um pouco mais (se estiver dormindo menos), diminuir seus gastos, dançar, ter mais paciência, voltar a estudar, tentar escrever um livro, almoçar com sua família pelo menos 1 vez por mês (esses encontros são incríveis), fazer uma viagem (nem que seja na cidade vizinha), ler e doar seu tempo para ajudar alguém ou uma instituição que precise do que você sabe fazer de melhor.

sexta-feira, 21 de março de 2014

Uma prosa sobre os escravos do tempo



Existem momentos em que nos perguntamos o sentido da vida e por que as coisas são do jeito que são, com suas incertezas e as escolhas que fizeram com que chegássemos exatamente onde estamos. Muitas vezes criamos raízes, mas na verdade o que gostaríamos de ter criado são asas para poder se locomover com mais liberdade pela natureza pulsante do mundo. A questão não é rever os princípios que norteiam nossas mentes, e sim rever a nós mesmos e na pessoa que nos tornamos e que construímos a cada dia.

Asas se criam com o tempo, com a nossa experiência e frustração diante das amarras que nós mesmos laçamos em nós. Raízes se criam quando estamos confortáveis, satisfeitos. Julgamos ser prioridade aquela agenda lotada, o dinheiro, e tantas outras coisas que nos comprometemos sem pensar se realmente são relevantes para a construção da nossa felicidade.

Feliz é quem tem tempo. Mil livros na estante e sem tempo para ler. Mil discos na sala e sem tempo para ouvir. Mil idéias na cabeça e sem tempo para pô-las em prática. Se não há liberdade no nosso tempo, somos escravos. Escravos das circunstâncias.  

Chega um momento que precisamos desacelerar e buscar novas fontes de viver para que possamos ter paz e desfrutar dos bons hábitos que criamos, mas não temos tempo de praticar.

E é claro que desacelerar e ter tempo tem um preço. Talvez uma roupa a menos, uma viagem a menos, um luxo a menos. Mas do que vale tudo isso quando nos sentimos sufocados por todas essas supostas necessidades que jamais suprem o nosso vazio interior?

Na verdade precisamos dançar mais, contemplar, buscar uma vida mais simples, diminuir gastos, não se sentir na posição de ter que acompanhar a roda enlouquecida que as pessoas insanas se locomovem para perceber que existem novas perspectivas e uma vida bem mais interessante que espera por nós.

Seria um grande atentado contra nossa vida esperar que o tempo passe mais rápida ou lentamente, pois ele caminha conforme nosso próprio ritmo interior e quem estipula a velocidade somos nós. Então, desacelere. Triste ver as pessoas em suas roletas, girando sem parar, completamente tontas e seguindo mesmices atrás de mesmices sem se permitir um suave respiro. Rodopiando entre acordar, trabalhar, voltar do trabalho, comer e dormir como se fosse algo natural.

Não há luxo maior do ser senhor do seu próprio tempo e fazer dessa natureza fantasmagórica que escapa das nossas mãos a cada instante um aliado da nossa felicidade e não uma máquina assustadora que transforma tudo em passado e projeções do futuro. A felicidade caminha ao lado do tempo e da liberdade.

segunda-feira, 17 de março de 2014

Por que julgamos tanto?






Uma das artimanhas mais enganadoras da mente são os julgamentos que fazemos. Quando vamos visitar um país passamos uma semana adentrando em pontos turísticos e saímos de lá tecendo julgamentos de como é o seu povo e sua cultura, mas convenhamos, não é possível conhecer ou fazer julgamentos justos (se é que isso existe) vivendo de turista em uma semana.

 A natureza do julgamento é o pensamento apressado, essa mania do ser humano de ter que tirar conclusões, sendo que a conclusão não existe, porque tudo está em constante movimento e jamais seremos capazes de assistir uma conclusão.

Uma experiência pessoal minha: muitas pessoas me julgam de “natureba”, pelo simples fato de me abster a comer carne, mas nunca fui “natureba”, embora admire quem consiga levar uma vida assim, bem coerente. Mas é uma tendência quase que instintiva de tecermos julgamentos e comparações mesmo sem saber absolutamente nada ou pouca coisa da outra pessoa. Basta uma única característica e lá vem o manancial de estereótipos em que você se enquadra.

Há os que viram Caminho das Índias e acreditem piamente que a Índia é exatamente como foi retratada na novela. Há quem jamais passou por uma determinada situação e fica julgando outras pessoas. Mas como isso é possível? Como é possível você julgar algo que nunca vivenciou? Tipo uma mulher que nunca teve filhos e tece mil e uma teorias de boa educação, sendo que entre a teoria e a prática há um abismo intransponível.

Se as escolhas pessoais de outro indivíduo te afronta, o problema não mora no vizinho, e sim em você. Muita certeza acaba por tornar a pessoa intolerante. Julgamos pela aparência que construímos do outro dentro de nós. A forma como julgamos os outros reflete como realmente nós somos e aquilo que não suportamos em nós mesmos, uma projeção de nossas características.

Você pode acreditar conhecer uma pessoa, mas na realidade pode não conhecer de fato. Afinal de contas ninguém se desnuda a outra pessoa dessa forma, pelo menos não os escorpianos... rsrsrsrs

Muitas vezes reproduzimos um comportamento coxinha, de não expor nossa opinião com medo dos julgamentos, pois afinal eles existem, não são fantasmas que assombram, eles são reais, e tudo o que falamos, escrevemos ou a forma como agimos são deliciosos pretextos para que julgamentos sejam realizados sobre nós, mesmo que não condigam com a realidade.

Talvez isso seja um aspecto da “natureza” do ser humano social. Criamos uma expectativa a partir de nossas vivências sobre o que certo e errado e a partir daí repreendemos e o que parece ser incorreto ou injusto. Mas é preciso ter um pouco de consciência que todas essas certezas são apenas nossas e não das outras pessoas. Podemos ser quem somos, mesmo com nossas incoerências e defeitos, livres para nos expressar, mas não podemos ter medo do julgamento dos outros, ele deve nos afetar o mínimo possível. 

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

As moradias da felicidade





Pipocam textos, blogs e projetos que se aprofundam sobre a busca e a realização da felicidade.  Fico muito encantada com isso e reparei que sempre essa busca tem um movimento inicial de se desprender de velhos padrões e se arriscar em algo totalmente novo, mesmo que seja reforçado que isso não é uma fórmula. 

No imaginário de uma maioria do passado, sinônimo de felicidade estava totalmente relacionado com o ingresso numa boa universidade, depois um bom cargo em uma multinacional ou emprego público, formar uma família, ter filhos, educá-los, se aposentar para ai sim poder desfrutar da vida. Mas isso falhou. Essa sequência só fez postergar o encontro do indivíduo com a plenitude. Talvez a graça disso tudo seja reajustar essas ordens, cortar itens que são completamente dispensáveis. Afinal de contas, esse modelo arcaico só fez é gerar pessoas estressadas, infelizes que vivem sob calmantes, terapias e por ai vai.

Nem todas as pessoas precisam de filhos. Vide quantas mães você conhece que não cria, educa e não tem a menor vocação para isso. Nem todas as pessoas precisam de uma carreira estabilizada, vide quantos funcionários públicos enrolam, enrolam o serviço, chafurdam em tarefas entediantes. Vide quantos executivos estressados, infelizes e sem tempo para si mesmo habitam este planeta de terno e gravata em pleno verão.

As vezes, o que precisamos para ser feliz é justamente abandonar essa receitinha sem gosto que a sociedade nos impõe para desfrutarmos de uma vida próspera. Prosperidade e luxo não são sinônimos de bens materiais, mas sim de abundância. Podemos ter relações verdadeiras em abundância (isso traz felicidade), podemos nos envolver em mais projetos, ao invés de nos dedicarmos apenas em um (isso traz diversidade), podemos ficar mais próximos da nossa família (isso traz mais amor), e podemos nos aventurar pelos nossos sonhos, é arriscado, mas isso traz realização, experiência, autoconhecimento.

Afinal de contas a busca pela felicidade não é apenas uma coleção de momentos felizes, ela também se constrói no fracasso, nas decepções e todas as coisas que não frutificaram, mas que trouxeram maturidade, aprendizados que podemos levar para o resto da vida.

Felicidade habita nas coisas simples. Nas coisas naturais da vida. Naturais. Uma xícara de chá com amigos, observar a natureza, o sorriso do seu filho, um carinho, uma conversa, uma conquista. Felicidade é amar e aceitar a vida mesmo com seus obstáculos.

Podemos ter uma fantasia de que viajar é sinônimo de felicidade, e pode até mesmo ser (creio que seja). Mas para quem não pode e não quer, existem outros esconderijos e moradias que esperam por nós.

Abaixo segue o link de um projeto muito bacana que acompanho e adoro! 

http://www.gluckproject.com.br/