quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Sobre Educação e professores


Já tem algum tempo que eu queria escrever sobre Educação. Esse tema tem batido muitas vezes em minha porta, tanto por conta da maternidade, como pela licenciatura que estou cursando. 

Acredito que o papel do educador é de suma importância e precisa sempre ser revisado. Hoje é muito comum que os pais enxerguem a escola apenas como um depósito de crianças, e que lá ele será educado, ensinado e preparado para o mundo. Família e escola precisam caminhar juntas. Assim como é o papel da escola desenvolver a autonomia da criança, também é dever dos pais, por isso a prática pedagógica precisa estar em sintonia com as convicções da família.


Sendo a passagem da infância uma etapa primordial no desenvolvimento do ser humano, todo o cuidado é pouco com o que é ensinado nas escolas. Quando puderem leiam este texto do Arnaldo Preto sobre o ciclo de sete anos. Mas vou colocar uma passagem que achei fantástica:

Aqueles primeiros sete anos são os anos em que você é condicionado, é preenchido com todos os tipos de idéias que irão atormentá-lo ao longo de toda a sua vida, que irão distraí-lo de sua potencialidade, que irão corrompê-lo, que nunca irão lhe permitir ver claramente. Elas sempre virão como nuvens diante de seus olhos e irão fazer com que tudo fique confuso. As coisas são claras, muito claras. A existência é absolutamente clara. Mas os seus olhos têm camadas e mais camadas de poeira. 

E toda essa poeira foi arranjada nos primeiros sete anos de sua vida, quando você era tão inocente, tão confiante, que qualquer coisa que lhe fosse dita você aceitava como sendo verdadeira. E mais tarde, será muito difícil você descobrir tudo aquilo que entrou em seus alicerces. Terá se tornado quase parte de seu sangue, ossos, de sua própria medula. Você perguntará mil outras questões, mas você nunca perguntará a respeito dos alicerces básicos de suas crenças. 

A primeira expressão de amor para com a criança é deixá-la absolutamente inocente em seus primeiros sete anos, sem condicionamento, deixá-la por sete anos completamente selvagem, uma pagã. Ela não deveria ser convertida ao hinduismo, ao islamismo, ao cristianismo. Qualquer um que esteja tentando converter a criança, não tem compaixão, é cruel, está contaminando a própria alma de um viçoso recém-chegado. Antes mesmo que a criança tenha formulado perguntas, ela já terá recebido respostas com filosofias , dogmas e ideologias pré-fabricadas. Essa é uma situação muito estranha. A criança não perguntou a respeito de Deus e você já está lhe ensinando.  Por que tanta impaciência? Espere!

 Se algum dia a criança demonstrar interesse por Deus e começar a perguntar a respeito, então tente dizer a ela não apenas a sua idéia sobre Deus, porque ninguém tem qualquer monopólio. Coloque diante dela todas as idéias de Deus que estiveram presentes em diferentes povos, em épocas diferentes, por religiões, culturas e civilizações diferentes. E lhe diga: 'Você pode escolher dentre essas aquela que mais lhe atrai. Ou você pode inventar a sua própria, se nenhuma estiver adequada. Se todas lhe parecerem defeituosas, e você achar que pode ter uma idéia melhor, então invente a sua própria. Ou se você achar que não há jeito de inventar uma idéia sem falhas, então abandone toda essa história, ela não é necessária. Um homem pode viver sem Deus.' 

Não há qualquer necessidade de que o filho tenha que concordar com o pai. Na verdade parece muito melhor que ele não tenha que concordar. É assim que a evolução acontece.


Tudo tem seu tempo.

É o papel da escola e dos pais reconhecer a diversidade do ser humano e capacitar os pequenos a não se estranharem nas diferenças, para que estes sejam adultos esclarecidos, livres de preconceitos e aptos para escolherem por si mesmos, prontos para fazer uso de sua própria razão e sensibilidade. O conhecimento não pode esbarrar em obstáculos e retornar, não pode se acuar em zonas desconhecidas e intocadas. Tudo pode e deve ser discutido, falado, pensado, de acordo com o desenvolvimento de cada um.

Precisamos respeitar o tempo da criança. Ela terá tempo para apreender o mundo, não é necessário - e na verdade é assustador - mergulhar uma inocente criança num mundo de dogmas. Sejam eles religiosos ou políticos. Nosso papel consiste em prepará-la, oferecendo autonomia e liberdade para que ela possa pensar por si mesma, observar suas potencialidades e dificuldades, auxiliar na caminhada, mas sempre deixando que eles caminhem, mesmo que isso signifique alguns escorregões. Prepará-los para a vida e não para o vestibular ou o mercado de trabalho.

Sabemos que este modelo de educação que perdura ainda na grande parte das escolas falhou. Não podemos mais pensar que aprender é decorar eventos, fórmulas e datas. Isso só fez com que as pessoas não aprendessem a desenvolver suas próprias ideias. Não somos sujeitos no mundo, somos sujeitos que criam o mundo.

Pensem nestes ciclos de 7 anos. Pensem sempre. Respeitem.

Hoje é dia dos professores, e por isso, gostaria de lembrá-los que todos nós somos professores, mesmo não encarando uma sala de aula. Simplesmente tudo o que comunicamos aos outros e tudo o que chega até nós são expressões de um conhecimento, seja ele adquirido por métodos empíricos ou não, e eles se propagam, ecoam. Somos responsáveis por isso.

Tudo o que é dever da escola também é dever dos pais. 

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Resultado do Sorteio "A arte da Vida"

Olá, amigos! Bom dia! 
Hoje é o dia do sorteio do livro "A arte de Viver", do Bauman! 
Foram 257 inscrições válidas! 

E o número sorteado foi....



Parabéns, Gustavo Rosa! Você tem até segunda-feira (6/10) para responder meu email. 

Caso  sorteado não responda vamos sortear outro número aqui! ;)

Obrigada a todos que participaram! 

terça-feira, 30 de setembro de 2014

A República de Platão, por Alain Badiou


A filosofia é um tema que muito me interessa, pois coloca em perspectiva toda a busca pela sabedoria e pela “verdade”, mesmo que de fato não se alcance. Quando recebi o livro “A República de Platão”, por Alain Badiou sabia que teria uma grande empreitada pela frente.  Sendo Platão um dos filósofos mais discutidos e analisados, seus temas ainda são contemporâneos e o que Alain Badiou fez foi trazer Platão como um indivíduo da nossa época, dialogando com eventos próximos da nossa realidade sem cair em um anacronismo.

O resultado não é uma tradução da obra de Platão, muito menos uma distorção de sua obra, mas todo o mel da filosofia platônica fica em evidência em uma roupagem atual. Temos até uma Amanda na polis que dialoga incessantemente com o filósofo e a famosa Caverna de Platão se torna um cinema. A tecnologia e seus abusos são temas recorrentes entre os personagens.

Ainda estou caminhando na leitura do livro, mas posso adiantar que a história é uma forma nova de tratar as utopias da humanidade, como a cidade ideal, o conceito de justiça tão fortemente pensado e discutido pelo filósofo e, é claro, uma maneira peculiar ver Sócrates e de se pensar os eventos contemporâneos sob a ótica filosófica de Platão.  O livro continua sendo um texto provocativo, onde o leitor caminha junto com seus personagens do desenvolvimento das ideias, mas com o cenário cultural familiar dos nossos tempos.

Fica em evidência não só a forma e o método de como Platão pensava, mas também toda a erudição de Alain Badiou, que conduz a narrativa numa jornada saborosa, intrigante e muito longe de ser cansativo.



quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Sorteio do livro "A arte da Vida", do Bauman.



Olá, amigos!
Vocês acompanharam aqui no blog as resenhas do livro "A arte da Vida", do sociólogo Zygmunt Bauman, da Editora Zahar. Para quem quem não leu, segue aqui os links:

A Arte da Vida (1)

A arte da Vida (2)

O livro apresenta um estudo bastante rico sobre a felicidade e como essa busca acontece na contemporaneidade. Sugiro que leiam as duas resenhas.

Para a felicidade geral, a Editora Zahar, disponibilizou um exemplar do livro "A arte da Vida" para sortearmos aqui no blog. Para participar é fácil! Basta preencher o formulário abaixo e boa sorte! ;)

Resultado: 1º de Outubro.

OBS: SERÁ DESCLASSIFICADO QUEM PREENCHER O FORMULÁRIO MAIS DE UMA VEZ.


quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Valorize quem te valoriza



Por que algumas pessoas insistem em valorizar quem não está nem ai para elas? Dar importância para quem não te valoriza é gostar de ser desprezado. Valorize quem te valoriza.  Pessoas que te procuram só quando precisam não merecem muita atenção, muito crédito, muito tempo seu. 

Não podemos permitir que as pessoas usem a gente, nosso tempo precioso apenas para atender suas finalidades. Se você considera amigo quem te procura apenas quando precisa, vai morrer na praia. Isso é amor próprio, é amar e valorizar quem está do nosso lado.

Ame as pessoas que estão do seu lado nos momentos simples da vida. Infelizmente existem pessoas, mas creio que seja uma parcela pequena, que apenas usam nossa presença para passar o tempo delas.

A amizade é uma relação complexa, porque podemos não estar juntos fisicamente em boa parte do tempo, mas sabemos reconhecer quem são eles. Amizade é reciprocidade. São doações do que cada um tem de melhor. Lealdade, companheirismo, amor, preocupação. Amizade é troca. Onde só um dá não é amizade. Não prestigie quem usa você. 

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

A arte da vida (2)


Conclui a leitura do livro “A arte da vida”, do sociólogo Bauman, entre fichamentos, espantos e reconhecimento, compartilho com vocês a última resenha da obra e os aspectos de maior relevância pra mim. É importante ressaltar que Bauman problematiza muito mais a questão da felicidade do que propriamente apresenta soluções.

O livro fala sobre a felicidade na era contemporânea e como nossa sociedade líquido-moderna faz para tentar alcançar este estado. Bauman enfatiza que dentro de todas as nossas possibilidades, que hoje se apresentam como infinitas, precisamos investir toda a energia e atenção no nosso projeto de vida. E o fato de que nossas decisões não estão livres de riscos, devemos aprender a aceitar a incerteza da vida e tentar sempre o impossível.  Mas a realidade é que ninguém, ou uma parcela muito ínfima de indivíduos, quer como pré-requisito da felicidade o trabalho árduo, a abnegação ou o auto-sacríficio, preferem ser levados pelo conforto das facilidades, o que nem sempre conduz ao caminho da realização.

“Pessoas persistentes, determinadas e corajosas ainda podem fazer com que seus corações e mentes sigam a sugestão de Sartre. Mas, sabendo ter escolhi uma tarefa desanimadora, sem garantia, nem mesmo uma esperança razoavelmente realista, de concuí-la, devem estar cientes de que a tarefa é mesmo desanimadora. Devem avaliar a força de sua dedicação em relação à severidade dos testes. Essas pessoas (assim como o resto de nós) devem estar conscientes de que, enquanto durar a peregrinação, as condições de viagem tenderão a permanecer muito semelhantes às atuais: caracterizadas pela incurável fragilidade das posições sociais e fontes de subsistência, pela sensibilidade irritadiça dos vínculos inter-humanos, pela mutabilidade camaleônica dos valores ambicionados e dos assuntos recomendados pela opinião pública como dignos de atenção e esforço.”  

Para ao menos viver uma vida feliz precisamos de propósitos, que depois de identificados, devem ser perseguidos, como uma meta. Tendo consciência de que TODOS os caminhos são espaços de obstáculos, então é melhor trilhar aquele nos conduz a felicidade, já que muitas vezes a caminhada é mais repleta de sentido do que o objetivo em si. E  a opinião da maioria não deve exercer relevância quando sabemos para onde queremos chegar. Muitos são os apelos midiáticos e consumistas que vão nos ludibriando do caminho escolhido, apontando para uma vida na superfície. 

Bauman coloca uma questão muito pertinente para os tempos atuais:  a felicidade individual e o outro.  Hoje temos uma posição mais individualista e repetimos mantras do tipo “mereço isso”, “devo isso”, e a busca por uma vida feliz se restringe ao campo individual, isentando a responsabilidade do Outro.O que me lembrou de outro livro da Editora Zahar que li chamado “Sobre a arte de Viver”,do filósofo Roman Krznaric. Estamos isolados uns dos outros num planeta interconectado, e enquanto isso perdurar seremos apenas mantenedores egocêntricos de nossa felicidade.

Para finalizar, Bauman sugere a prática dos quatro C na busca pela felicidade: Continuidade, Constância, Consistência e Coerência.


“A felicidade, para relembrar o diagnóstico de Kant é um ideal não da razão, mas da imaginação.” (BAUMAN, 2008. P.173)


quinta-feira, 7 de agosto de 2014

A arte da Vida (1)



A arte da Vida é um livro do Zygmunt Bauman, que apresenta um estudo sociológico acerca da felicidade no momento contemporâneo. Como a obra induz a muitas reflexões vou dividir a resenha em partes, para que haja mais completude.

O primeiro capítulo e a introdução focam especificamente no conceito moderno de que aumentando a renda das pessoas, estas experimentariam maior contentamento. Porém, como se é esperado, não é exatamente isso que faz as pessoas mais felizes. Acredite. Os excessos trazem a incerteza e a insegurança, grandes minadores do estado de felicidade. Uma vez privados da liberdade, o indivíduo se sente aprisionado no seu montante de capital.

"O consumo não leva à certeza e à saciedade. O bastante nunca bastará."

Traçando uma análise das formas de se alcançar a felicidade e como elas são substituídas ao longo do tempo, Bauman destaca o consumismo, como a grande chave do capitalismo para ludibriar as pessoas que consumindo elas terão mais satisfação pessoal, porém o que vemos é que estas se tornam reféns do escapismo da moda e de sua liquidez, uma vez que elas estão em constante transformação substituindo seus valores a cada estação.

"Um dos efeitos mais seminais de se igualar a felicidade à compra de mercadorias, que se espera que gerem felicidade, é afastar a probabilidade de a busca da felicidade algum dia chegar ao fim. Essa busca nunca vai terminar - seu desfecho equivaleria ao fim da felicidade como tal"

Bauman enfatiza que nossas vidas são obras de arte e reforça a responsabilidade de cada um de apropriar-se do seu projeto de vida e tentar sempre o impossível, uma vez que a incerteza é o habitat natural do humano.Um dos caminhos de se alcançar isso é desviar do peso esmagador da maioria que dita o que devemos fazer e como.

Para que possamos encontrar a tal da felicidade (não aquela que parece residir sempre além do horizonte e inalcançável), precisamos nos libertar do olhar do outro, da necessidade de ser visto, adorado e estimado. Senão fizermos isso seremos eternos prisioneiros, buscando na comparação e competição estarmos a frente das demais pessoas, o que nem de perto traz felicidade, apenas a saciedade do ego e muito rapidamente a frustração e o ressentimento por não ter suprido as expectativas alheias.


terça-feira, 29 de julho de 2014

Autoconhecimento, reflexão e responsabilidade





Todos têm a responsabilidade de pensar. Damos atenção demais para as certezas do senso comum e esquecemos, seja por desatentação ou preguiça, que podemos por nossos próprios métodos refletir acerca dos questionamentos da vida, e que isso não são privilégios de autoridades, mestres e doutores, psicólogos, jornalistas e tantas outras pessoas que tem o poder facilitador de conduzir os ditames. 

Nem todo o pensamento deve ser levado em consideração, sobretudo de indivíduos que são levados pela correnteza do rio. Quem disse que a maioria está certa? A maioria acredita que um salário alto é o que determina a satisfação do trabalho; a maioria acredita que todo o bandido é negro, que pobre é preguiçoso, que a mulher deve casar e ser uma mãe de família, que o homem deve ser o provedor de uma casa. Entre essas e o infinito de propagações sem sentido, o pensamento dessa maioria não deve ser levado em consideração, pois uma das características mais predominantes e visíveis do senso comum é a vocação para manter a tradição, a ausência de reflexão e reprodução automática do que os meios de comunicação de massa mostram como “real” e “verdadeiro”, discursos preconceituosos baseados em estereótipos bastante particulares e até mesmo pessoais. 

Autoconhecimento chega através de inúmeras e profundas reflexões, e não nas experiências limitadas de outras pessoas. Para sair de um estágio primário de argumentação é necessário derrubar (no sentido metafórico, é claro) a barreira que o senso comum cria no entorno do seu pensamento, para que você possa de maneira plena e livre tirar suas próprias conclusões. Lembrando que para isso você não precisa ignorar o que vem de fora, isso é impossível e desnecessário. Basta um bom filtro nos ouvidos, consciência, autoconfiança e esforço. 
E reforçando a primeira frase do texto: todos têm a responsabilidade de refletir com suas próprias cabeças.

"Esclarecimento é a saída do ser humano da menoridade, da qual ele próprio é culpado. A menoridade é a incapacidade de fazer uso do seu entendimento sem a direção de outro indivíduo. O ser humano é o próprio culpado dessa menoridade se a causa dela não se encontra na falta de entendimento, mas na fala de decisão e coragem de servir-se de si mesmo sem a direção de outrem. Sapere aude! Tem coragem de fazer uso do teu próprio entendimento, tal é o lema do esclarecimento." KANT 

quarta-feira, 16 de julho de 2014

O destino é só um palpite!



Nascemos, vivemos e morremos. Pode ser que esta seja nossa única certeza. Ou não. No rio dos acontecimentos da vida, muitas vezes nos questionamos se existe ou não destino, se tínhamos que passar por determinada situação ou não. A verdade é que não existe Verdade, e cada um acaba acreditando naquilo que compõe todo o seu repertório de vivências. 

Eu, particularmente, acredito que todas as adversidades superadas (ou não) e vitórias conquistadas são partes indispensáveis do nosso aprendizado aqui nesta Terra. Daí o motivo de algumas pessoas creem em coisas que você não crê e vice-versa.  E tudo isso determina o tipo de individuo que você é.

Não precisa ser cigana para saber que tudo o que a gente faz ecoa, tem conseqüências. Daí o destino. Mas ele é só um palpite, você não precisa se amarrar em situações só por que faz parte do seu destino, pois também é o nosso papel saber desatar os nós.  Faz parte do destino desviar de obstáculos, fazer o retorno, escolher outros caminhos e traçar planos ousados.

Dispensem a musiquinha piegas ao fundo e vejam este vídeo. Que menino esperto e sensível. Ele só endossa minha teoria que as almas que estão chegando neste planeta é que vão ajudar nessa transformação.



O que você quer que sua vida seja? A resposta é você, suas ações, como você se posiciona no mundo e perante a si mesmo no espelho. Nós temos a vida que construímos, e podemos desconstruir tudo a qualquer momento quando temos a sensibilidade de perceber que o caminho que escolhemos lá no início estava errado. O tempo passou. Alicerces muito fortes foram construídos na base. Mas e daí? Destrua tudo para poder se reconstruir. É óbvio que não é uma tarefa simples. Ela é dolorosa, vamos nos esbarrar em espinhos muitas vezes, mas no final podemos sentir o alívio. Embora cansados, perceberemos que toda a jornada valeu a pena.  O importante é termos consciência da responsabilidade que cada escolha carrega e não temer.


O medo é um sentimento que a gente deve deixá-lo de lado. Ele é a desculpa dos preguiçosos disfarçados no manto da cautela.  Cada um dentro de si sabe exatamente como as coisas devem ser feitas, sabe o que faz o coração vibrar. E precisamos escolher sempre o que faz vibrar, não o que definha.  É claro que passamos por momentos de dúvida e indecisão, mas o medo deve ser sempre posto para fora do foro íntimo, para que ele não atrapalhe colocando suas amarras em nossos pés.


Quem vos escreve hoje é o meu alterego sagitariano pulsante. 

sexta-feira, 11 de julho de 2014

O hiato entre vida e morte


É muito comum ouvir por ai que nascemos sozinhos e morremos sozinhos. Quem entoa isso feito mantra, acaba se esquecendo que nesse intervalo entre nascer e a morrer existe um hiato chamado vida. E ninguém vive em absoluta reclusão, muito menos seria feliz assim.

Obviamente que passamos por ciclos que necessitamos nos reconstruir e entrar no nosso casulo para amadurecer certas reflexões, mas isso não significa que sabedoria é permanecer na caverna interior. Sabedoria é se relacionar com o mundo e manter sua caverna; trocar experiências com as outras pessoas e ter a humildade de aprender com elas.

Vide Buda e Jesus, que souberam fazer isso com tanta maestria que seria um grande egoísmo se recolher com tanta coisa para ensinar ao mundo. A evolução é sempre uma experiência em conjunto e compartilhada. Experimenta mais doses de felicidade e alegria quem se movimenta, quem saboreia das boas companhias.

Acredito que podemos escolher entre fazer uma jornada solitária ou não. Eu, particularmente, penso neste momento, que ao sairmos da nossa própria esfera egóica podemos aprender mais e sermos mais felizes. Quando somos expansivos na nossa reclusão nos tornamos egoístas e não sabemos mais como se relacionar com o mundo, muito menos como aprender e trocar com ele. 


Creio no silêncio e na paz interior, mas creio com muito mais força que juntos podemos mais. E nem precisa deixar de lado os seus momentos de solidão, de solitude, de silêncio e de paz, basta harmonizar os pólos.