quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Sorteio do Livro A Era das Revoluções - Hobsbawm - Ed. Paz & Terra



Como vocês bem sabem, o blog tem uma parceria linda com a Editora Paz & Terra, que além de ter um acervo ótimo de História e Educação ela está sempre enviando livros e disponibilizando para sortear por aqui. 

Semana passada recebi "A Era das Revoluções", de um dos maiores historiadores da atualidade Eric Hobsbawm.  O livro compreende nas grandes transformações ocorridas entre o período de 1789 - 1848,  com destaques para a Revolução Industrial e a Revolução Francesa e seus principais desdobramentos ao longo do processo histórico.  É um livro denso, rico e essencial para quem se interessa por História, já que proporciona uma viagem no tempo. Suas observações são muito bem argumentadas e traça um panorama histórico completo sobre o período, permitindo uma maior compreensão do tempo presente. 


Vou começar na próxima semana a postar as resenhas sobre o livro, já que ainda estou no inicio da caminhada e completamente presa na sua narrativa. Mas, como não me aguento, quero logo abrir o sorteio do livro aqui. 


Para participar do sorteio você precisa:


1. Residir em Território Nacional;

2. Curtir a Fanpage da Editora Paz & Terra, clicando aqui. 
3. Preencher o formulário abaixo. 

O resultado sai no dia 23 de Março de 2015.  Boa sorte! 

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Tente ser uma pessoa melhor todos os dias



Ontem fui dormir com uma notícia pesada de uma morte. Custei a adormecer, rolei para todos os lados da minha cama, pensando, refletindo sobre a dor, a incompreensão e como somos pessoas egoístas, não olhamos para o lado, não enxergamos a dor do outro e não ajudamos.

Acordamos e não tentamos ser uma pessoa melhor. Continuamos mesquinhos. Não abraçamos as pessoas. Elas passam na nossa frente e nós somente a cumprimentamos. Elas ligam e nós não atendemos. Quando atendemos fazemos o conveniente, o programado. Não provocamos profundidade nas relações, isso é ruim.

Entre as tentativas de adormecer fiquei pensando que precisamos tentar ser pessoas melhores todos os dias para amenizar a ruindade, as diferenças que assolam o mundo. Precisamos fazer um exercício constante de olhar o outro, de observá-lo, para tentarmos em nossa pequenez fazer a diferença na vida de alguém, muitas vezes basta uma palavra ou um gesto certeiro. Em alguns momentos, ciclos ou dias da nossa vida vivemos de forma tão mecânica que esquecemos o quanto podemos tornar a vida especial e importante.

Chega de abraços rasos, conversas sobre a meteorologia. Chega de ressaltar as diferenças que há entre as pessoas. Viva a generosidade, o afeto, a humildade, a leveza, a fraternidade, a responsabilidade.

Olhe o outro, faça por ele. Não viva sua vida girando no raio do seu umbigo, não maximize sua dor, suas necessidades. Aprenda a equilibrar isso. 

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Resultado do Sorteio do livro "Do Cabaré ao Lar"

Olá, querides!
Hoje é o dia de sortear o livro que a Editora Paz & Terra disponibilizou aqui: Do Cabaré ao Lar", da historiadora Margareth Rago.

Foram 52 inscrições válidas.

E o número sorteado foi.....





Parabéns, Lucilene! Você seguiu as regras e deverá responder ao meu e-mail até quarta-feira (4/02/2015).

Agradeço a todos que participaram e até a próxima! :)

Um beijo,
Flor

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Sorteio do livro "Do Cabaré ao Lar"




Olá, amigues! 
Para vocês que acompanharam as resenhas sobre o livro "Do Cabaré ao Lar", da historiadora Margareth Rago, tenho uma boa notícia:  Editora Paz & Terra  disponibilizou um exemplar para sortear aqui no Blog! 

O livro enfoca a primeira República do Brasil e problematiza a história social, revelando os desafios dos operários fabris, disciplinarização, a colonização da mulher, o mito do amor materno, a pedagogia paternalista dos patrões etc. Com uma riqueza de detalhes e documentos históricos, o livro é leitura indispensável para quem se interessa pela historiografia brasileira.

Para participar é bem fácil:

1. Você deve curtir a página da Editora Paz & Terra, clicando aqui;
2. Residir em território nacional;
3. Preencher o formulário abaixo.

O resultado sai no dia: 30 de Janeiro de 2015 e o envio será realizado diretamente da Editora para o sorteado.

Boa sorte!


quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Do Cabaré ao Lar (2)


Hoje é o dia da segunda resenha sobre o livro Do Cabaré ao Lar – A utopia da cidade disciplinar e a resistência anarquista, Brasil 1890-1930 da historiadora Margareth Rago. Vou me concentrar na segunda da parte da obra que fala sobre a Colonização da Mulher, que pessoalmente foi bastante instigante e impactante.

Na primeira resenha falei sobre os conceitos de fábrica higiênica e satânica e remodelação dos ambientes de trabalho e da necessidade dos fabris de assemelhá-lo ao ambiente do lar. Agora Margareth Rago explicita sobre o papel da mulher nesta mudança de paradigma. Neste momento cabia a ela ser a “soberana” do lar, vigiar cada membro, seus horários, hábitos, prevenir qualquer desvio. Às mulheres pobres deveriam ter como modelo a postura da mulher burguesa. Forja-se uma representação simbólica: frágil, delicada, sentimental, vigilante, esposa-mãe-dona de casa e assexuada. Sua função essencial não era mais as longas jornadas dentro das fábricas, mas sim dentro do lar executando suas tarefas domésticas e exercendo a sagrada maternidade.

“Pouco importam os vários artigos que na imprensa operária cobram uma maior participação feminina nos movimentos reivindicativos de classe. Na prática, esses movimentos eram controlados por elementos do sexo masculino, que certamente tinham maior liberdade de circulação, maior acesso à informação e maior organização entre si. As mulheres deveriam participar enquanto filhas, esposas ou mães, isto é, na condição subordinada dos líderes.”

Neste período estabelecia-se o confinamento da mulher na esfera privada da vida doméstica e realizar-se através das conquistas do marido e dos filhos. E para as mulheres que não abandonaram seus postos de trabalho, cabiam sempre cargos de assistência e ajudantes sem nenhum poder de decisão. A imagem da mulher era retratada como servil por natureza, mãe-sacrifício.

O Mito do amor materno

O discurso que sustentará o mito do amor materno parte da classe “científica” dos médicos sanitaristas da época, que com as grandes taxas de mortalidade infantil, procuram demonstrar que a mulher possui uma missão sagrada e vocação natural para a procriação e a maternidade a fim de fundar um novo modelo formativo a ser seguido por todas as mulheres independentes da classe social.

A amamentação foi o primeiro tópico que mediou o discurso dos médicos sanitaristas, pois a prática não era recorrente tanto pela questão estética (nas mulheres burguesas) quanto econômica para as operárias que precisavam retornar aos postos de trabalhos decorridos o primeiro mês do bebê, o que resultava no aleitamento mercenário. “Os médicos propunham, então, que as mulheres fossem convencidas de sua vocação natural para a maternidade e aconselhadas sobre os perigos que a criança alimentada fora do seio materno poderia sofrer.”

Tanto quanto a escrava, a nutriz assalariada é condenada como portadora do vírus físico e moral da contaminação e posição desagregação da família. A partir desta figura da anormalidade é que se constrói a imagem da boa mãe; daí o papel moralizador da nova figura materna proposta pelo discurso médico como a guardiã vigilante do lar.”

A partir deste discurso o poder médico consegue penetrar dentro do interior das famílias redefinindo o papel de cada membro procurando persuadir as mulheres, tirando-o a liberdade de fazer suas escolhas com a alocução moralizante de que é dentro do lar, exercendo a maternidade que a mulher se realizará quanto a sua função natural estipulada pela natureza. E todas as mulheres que não iam de acordo com este novo papel instituído legalmente pela classe médica e pelo Estado estão no campo da anormalidade e colocavam em risco o futuro da nação. A profissionalização da mulher era tida como um desacordo com sua natureza.

Margareth Rago enfatiza a importância do filósofo iluminista Rousseau e a sua influência entre os homens cultos tanto da Europa como no Brasil no processo de redefinição do papel feminino dentro da sociedade. No livro Émile ele descreve como sendo a natureza da mulher a submissão e o sacrifício, a devoção e a ternura como traços inatos de sua personalidade.

Sequestro da sexualidade insubmissa

Os médicos sanitaristas também adentraram no submundo da prostituição e concluem que dentre inúmeras causas que levam às mulheres a abandonar seus lares para se prostituir estão: a ociosidade, preguiça, desejo incontrolável do prazer, desprezo pela religião e a falta de educação moral.
Desta forma a representação simbólica construída da prostituta é contrária ao da mulher honesta, que é casada, mãe, fiel, dessexualizada. São as putas a ameaça da boa conduta do homem e que subverte a lógica moralizante do mundo. Elas são as transmissoras de doenças, que colocam em risco a boa saúde dos homens e da sociedade, que corrompem os trabalhadores e que desvia a boa conduta. Partindo deste princípio elas devem ser enclausuradas dentro de espaços regulamentados e vigiados pela polícia e autoridades médicas.

É engraçado como esses conceitos que giram entorno da prostituta continuam tão atuais e pouco se avançou na reflexão sobre o papel desta profissão.

A autora Margareth Rago enfatiza diversas pesquisas e teses que tentam enquadrar anarquistas, criminosos e putas com a mesma configuração cerebral o que os distinguiriam das pessoas normais. “O ideal de puta para os regulamentaristas é a mulher recatada e dessexualizada, que cumpre seus deveres profissionais, mas sem sentir prazer e sem gostar da sua atividade sexual.”

Conclusão

Outro tema importante nesta segunda parte do livro é a emancipação da mulher, discussão presente na imprensa anarquista que engloba tanto a operária quanto a burguesa, já que ambas são oprimidas dentro de seus papéis. Ressaltava que a mulher tem a mesma capacidade de reflexão que o homem e a educação aparece como o meio mais importante de libertação e luta pela independência. Denuncia-se o caftismo em família. Discute-se o amor livre, novas propostas de relacionamento, o divórcio e o modelo moralizador do casamento.

O matrimônio apenas serve para abreviar a duração do amor, tornar odiosa a união. No lar, a mulher é escrava, o homem é o senhor; este tem o direito de mandar, aquela o direito de.... obedecer. [...] Como pode existir o amor entre uma escrava e um senhor? [...] Por isso se diz: o casamento é a morte do amor...” (O amigo do Povo, 2/8/1902)



sábado, 3 de janeiro de 2015

Do cabaré ao lar (1)



Recebi da Editora Paz e Terra o livro “Do Cabaré ao lar – a utopia da cidade disciplinar e a resistência anarquista”, da historiadora Margareth Rago. Ainda não conclui a leitura, mas sendo o livro tão instigante e fantástico resolvi dividir a resenha em partes.

O livro enfoca a primeira República do Brasil e problematiza a história social, revelando os desafios dos operários fabris, disciplinarização, a colonização da mulher, o mito do amor materno, a pedagogia paternalista dos patrões etc. Com uma riqueza de detalhes e documentos históricos, o livro é leitura indispensável para quem se interessa pela historiografia brasileira.

A primeira parte do livro enfatiza os conceitos da fábrica satânica e higiênica, o crescimento urbano-industrial e a tentativa de domesticação do operariado. Com a drástica mudança no modo de vida e no saber-fazer do trabalho, as pessoas são exploradas dentro das fábricas com longas jornadas, péssimas condições de higiene e segurança, violência física e moral, opressão, humilhação, o que resulta numa alteração profunda do modelo de vida no qual estavam submetidos anteriormente.

Com a eclosão de greves, destruição de maquinários e sabotagens proposto e executado pelas associações de trabalhadores, os fabris se viram na necessidade de dominação sutil e na alteração na estratégica de controle dos operários, que incluía tratá-los de forma individualizada para enfraquecer suas mobilizações coletivas e ignorar suas entidades de classe. Neste momento surge o conceito de fábrica higiênica e a atuação patronal que “foi marcada ambiguamente pela intenção de proteger os trabalhadores que viviam em condições deploráveis mas, ao mesmo tempo, de controlar e disciplinar todos os seus hábitos.” Foram realizadas algumas mudanças dentro do interior das fábricas, como tornar o ambiente limpo, iluminado, arejado, com oxigênio disponível para todos (!!!) de modo a se tornar mais aconchegante e parecido com o interior de seus lares. Todas as essas mudanças partiam do pressuposto de minimizar o descontentamento da classe,  minimizar os prejuízos dos fabris e potencializar sua produção. Acreditava-se que mudando o ambiente seus trabalhadores teriam comportamentos mais dóceis e disciplinados.

Mas o que queria o movimento anarquista? Apropriação das fábricas e reorganização do processo de produção pelos trabalhadores, já que eram eles que conheciam e dominavam a técnica de trabalho na prática, e assim superar a divisão social do trabalho realizada pelo sistema capitalista, colocando abaixo a hierarquia despótica. “Também os anarquistas sonhavam com uma sociedade em que o desenvolvimento da tecnologia libertaria o homem do “reino da necessidade”, permitindo uma vida mais livre e criativa, onde o trabalho seria transformado enquanto atividade de autocriação da humanidade.”

A autora reforça a ausência de publicações que evidenciasse as condições de trabalho dos operários por parte da imprensa oficial, o que mostra o desinteresse do poder público pela situação dos trabalhadores no Brasil. Cabendo aos jornais anarcossindicalistas denunciar a conjuntura em que se encontravam os proletariados.

Vejam o sumário:




A inveja, o caráter e o vazio interior


Ninguém é perfeito, ninguém é coerente ou dono da razão. Todo mundo guarda dentro de si os seus conflitos, defeitos e impulsos, entretanto, existe algo chamado caráter que desviado ultrapassa todos os limites do bom senso e boa convivência.

"O melhor indicador do caráter de uma pessoa é como ela trata as pessoas que não podem lhe trazer benefício algum".Abigail van Buren
Dentre muitos sentimentos obscuros que permeiam o interior de algumas pessoas e que eu creio ter alguma ligação com o caráter está a inveja: uma paranóia de querer o que é do outro, querer entrar na história do outro, e como se não bastasse o desejo tem quem precise destruir outras histórias para tentar afirmar ao seu próprio ego do que é capaz, revelando mais do que um potencial maligno, uma tremenda insegurança e falta de amor que nutre por si mesmo. Para o invejoso falta coragem de construir sua própria vida e sua própria história, pelo medo do fracasso, pela humilhação ou falta de brilho que seus caminhos possam ter.

O invejoso é compulsivo e fica na espreita de qualquer conquista. Com suas lentes de aumento, escondendo uma miopia doentia nos olhos, ele engrandece qualquer ato ou o diminui conforme suas necessidades interiores.  Invadido pela tristeza, frustração, revolta e baixa autoestima, essas pessoas atacam, mascaram e criam suas próprias justificativas, até mesmo com mentiras mirabolantes.

O mais surpreendente é que o invejoso sempre tem seus próprios alvos e miras, e apesar disso não consegue reconhecer que as pessoas não são melhores do que as outras, que cada um dentro do seu casulo também tem os seus conflitos, suas pendências e que mundo nenhum é cor-de-rosa, perfeito, com textura de algodão. Estamos todos no mesmo planeta, vivendo, aprendendo, errando, construindo, demolindo, buscando, sonhando etc.

Talvez o caminho para a restauração de sua própria paz interior seja através de um processo terapêutico e com a consciência de que a história de sua própria vida também merece valor, investimento e interesse, para que assim não seja necessário comparar sua grama com a do vizinho.

“Para evoluirmos enquanto humanidade precisamos aperfeiçoar nossa capacidade de nos relacionar, ou seja, precisamos aprender a nos relacionar com o outro sem machucar. Esse é o nosso maior desafio. Nesse “outro” está inclusa a natureza, a nossa casa. Precisamos aprender a conviver em harmonia, preservando, não destruindo. Destruir é muito fácil. Cortar o tronco de uma árvore é simples, mas não é possível colocá-lo de volta. Estamos agora colhendo os frutos do que plantamos, ou melhor, do que não plantamos (destruímos). Estamos sendo convidados a rever nossas ações, nossos hábitos e condicionamentos, pois a forma como vivemos até agora não tem funcionado.”
Sri Prem Baba


terça-feira, 16 de dezembro de 2014

A Ditadura que mudou o Brasil – 50 anos do Golpe de 1964



Organizado por Daniel Aarão Reis, Marcelo Ridenti e Rodrigo Patto Sá Motta, o livro A Ditadura que mudou o Brasil – 50 anos do Golpe de 1964, da Editora Zahar traz um panorama muito rico do que foi o Golpe Militar e suas transformações para o país, que ainda mantém uma cicatriz aberta decorrido os 50 anos após a tomada do aparelho governamental pelos Militares.

O livro traz pesquisas bastante atuais, leitura imprescindível para os estudantes, historiadores e para o público geral que se interessa pela política brasileira. A obra é um convite para se refletir o passado e o presente com as conseqüências deixadas por um regime que propunha uma modernização conservadora autoritária, com a participação e apoio da sociedade civil. Entendem-se também como apoiadores aquela parcela da sociedade indiferente e omissa.  

A obra é objetiva e completa. Caminha de forma didática ao período histórico que antecedeu o Golpe, indo do Estado Novo de Getúlio Vargas, a política de JK, a renúncia de Jânio Quadros e o Golpe que tirou João Goulart do poder até os resquícios da Ditadura que perduram atualmente.

Primeiramente, a Ditadura Militar se instaurou com o objetivo de conter um suposto avanço do comunismo e impedir a corrupção com o suporte da classe empresarial, as oligarquias rurais, a classe média, instituições religiosas e a imprensa. Enquanto isso a esquerda estava divida em divergências quanto a maneira de se reverter o quadro político do país. Mas o Governo Militar não hesitou em prender, torturar, matar e exilar seus adversários dentro dos longos 21 anos em que permaneceram no comando.

O cenário econômico que marcou o período ditatorial foi de desenvolvimento à custa da democracia e com grande concentração de riquezas. Quem se beneficiou do milagre econômico não foi exatamente a massa populacional. E em 1985 o Brasil se encontrava endividado, com inflações exorbitantes e completamente ferido com seus mortos, feridos e desaparecidos.

É difícil sintetizar um livro que traça um panorama histórico de 21 anos de Ditadura Militar e as conseqüências posteriores ao regime, mas a obra é completa, elucida as características de cada período, não deixando nada passar despercebido. A sensação que fica quando se conclui o livro é de incômodo, pois não é possível fazer este mergulho em fatos do passado e não associá-los às feridas que ainda permanecem abertas e expostas.  




terça-feira, 9 de dezembro de 2014

O que o dinheiro tem a ver com felicidade?



O que o dinheiro tem a ver com felicidade? NADA. Caso contrário, pessoas ricas não sofreriam. Mais um par de sapatos é só mais um par de sapatos, mesmo que você perceba isso daqui a um ano quando fizer uma faxina no guarda-roupa. Se existe uma coisa que eu não compreendo é a necessidade de afirmação pelo dinheiro. Não é preciso ser tão sensível para saber que ele pode comprar pacotes de viagens, um mestrado, um saco de jujubas ou uma conta luz e nunca, nunca poderá comprar afeto, relações, paz de espírito, sabedoria etc. Dinheiro é ótimo, resolve uma série de pepinos que nós mesmos arrumamos para a nossa vida, mas ele jamais será a redenção. Como isso ainda não é óbvio?! Apelando para o clichê: o dinheiro não compra felicidade. Existe um estudo científico que compara o nível de felicidade de uma pessoa que ficou paraplégica e quem ganhou na mega-sena em um ano. Para o espanto da nação, os dois tipos de pessoa têm o mesmo nível de felicidade. Leia na íntegra aqui: 

Há quem se orgulhe que sua consulta custe 200 reais por 50 minutos e que isso seja a verdadeira realização, poderia até ser se não houvesse a necessidade de esfregar isso para o mundo. Acho engraçadíssimo uma pessoa querer mostrar uma imagem de bem sucedida debaixo da asa dos outros, sem conquistar o mínimo de auto-suficiência e autonomia com a própria vida. Xuxa ganha mais do que isso apresentando um programa tosco. Quem é muito bom no que faz e muito bem remunerado não tem o péssimo hábito de soprar isso ao vento ou jogar isso na cara dos outros. Essa forma exagerada de se enxergar é a manifestação de um ego ferido, invejoso e mal resolvido – grandes máscaras para esconder a falta de amor que sentem por si mesmos. Escrevo tudo isso por ter vivenciado uma situação completamente insana relacionada com uma pessoa altiva, soberba e ignorante da minha própria família, o que me faz crer que até mesmo a família nós podemos escolher. Consangüinidade não move absolutamente nada em termos de empatia e amor. Todas as relações são construções de afeto ou desafeto, quer façam parte da sua genealogia ou não.

Conheço pessoas com doutorado, ricas e humildes. Conheço pessoas com mestrado, bem de vida e humildes. Conheço pessoas com mestrado, que pensa ter uma condição que não tem e soberbas. Conheço pessoas com ensino fundamental incompleto, ricas e humildes. Assim como o inverso de tudo isso. A questão não é o nível de escolaridade ou saldo da conta bancária, é a HUMANIDADE que habita dentro de cada um. Valores que adquirimos com as nossas vivências.

Tudo isso é só um reflexo da educação que recebemos. Fomos educados a competir um com os outros pelo viés materialista, o pior tipo de educação que um indivíduo pode ter na vida. E eu caminho no sentido oposto a isso, os valores que eu aprendi dentro da casa da minha mãe são inversos a tudo isso. Não bajulo ninguém. Ela me ensinou a respeitar as pessoas e valorizar a felicidade, não o dinheiro. Por esta educação que eu recebi é que hoje eu prefiro colecionar momentos incríveis com pessoas queridas do que dinheiro na poupança. O que eu ganho é o suficiente para custear minhas despesas, parcas extravagâncias, e sou muito feliz assim. Tenho minha casa, minha filha, meu marido, pessoas queridas, uma piscina de plástico no quintal para os dias mais quentes, meus livros na estante, muitos sonhos e problemas como qualquer outra pessoa. 

O problema não é dinheiro em si, mas na dificuldade do homem se relacionar com ele. A soberba é uma enfermidade a ser tratada, pelo amor ou pela dor. Quem gosta de exibir segurança no que faz geralmente esconde uma tremenda dificuldade em sua tomada de decisões. Do lado oposto da soberba mora a humildade, uma virtude que só quem possui autoconhecimento pode ter.

Para finalizar, como já disse Arnaldo Antunes: dinheiro é um pedaço de papel.





quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Reflexões sobre 2014


Para onde for sua atenção é ali que a vida irá crescer. Assim você cria as circunstâncias que virão ao seu encontro. Pergunte a si mesmo: o que me esvazia e o que me preenche? Desvie a atenção das áreas que drenam seu poder. Descubra o que faz seu coração bater mais forte e coloque sua energia naquilo. Descubra seu propósito e essa será a sua paixão. Então não haverá tempo para que ervas daninhas reivindiquem sua atenção.
Dadi Janki

Hoje, ao acordar, li esta mensagem e ela ressoou dentro de mim, pois depois de tanto tempo finalmente venho fazendo coisas e cultivando hábitos que realmente fazem meu coração bater mais forte e enxergar um sentido na minha existência, mesmo que ele não seja tão abrangente quanto eu gostaria que fosse, mas já é um caminho. Após a pequena leitura comecei a pensar no meu ano e como ele foi confuso e ao mesmo tempo libertador.

2014 foi um ano muito difícil, não só para mim e na esfera geográfica do meu umbigo, mas para muitas pessoas. Talvez seja Saturno, colocando pressão para mudarmos os degraus da escada e das perspectivas do olhar. Entre crises existenciais e rompimentos, entre novos caminhos e dificuldades, a notícia é que 2014 continua até março de 2015, até lá nosso papel é segurar os forninhos como a pequena Giovana.  Paciência talvez seja a palavra-chave.

Durante algum tempo vaguei procurando este propósito e ele veio na forma em que eu mais gosto de colocar minhas energias: no estudo, no conhecimento, no processo dialético que ele coloca os indivíduos de se construírem destruindo alicerces antigos. A licenciatura de História chegou como um projeto de vida e mesmo ainda no inicio de toda a jornada já sinto o quanto ela provocou mudanças dentro de mim. Uma delas é sair do reino do achismo, da opinião. Elas pouco interessam e em nada mudam os fatos, exceto pelas energias de ânimo ou mal estar (sua ressonância mais óbvia).  Isso justifica minha parca produção no blog este ano, que surgiu sem meta, tomou um rumo e provavelmente irá tomar outro. Não é possível fazer mergulhos profundos sem deixar que as mudanças naturais aconteçam por si mesmas e se tentarmos impedir isso certamente não valerá de nada o esforço.

Neste tempo que em me formei em jornalismo e comecei a fazer história foram 3 anos. 3 anos sem estudar, sem aquelas cobranças intelectuais que para mim sempre foi um desafio e um prazer. Pela primeira vez tenho uma ambição, tenho o desejo de ser muito boa no que eu estou fazendo. Observei que nesses 3 anos minhas palavras murcharam e eu não posso ficar sem estudar, pois não estudar é não conhecer o que ainda está obscurecido. É padecer num reducionismo, num achismo completamente sem fundamento, irracional e ilógico. Achar que sabe tudo é pior soberba que um ser humano pode cometer contra si mesmo.  É como recusar que as nossas potencialidades sejam desenvolvidas em prol de qualquer outra coisa do mundo real que nos torna mecânicos - máquinas a reproduzir aquilo que óbvio deseja.  Dentro da mediocridade humana que predomina e se apossa dos pensamentos, é papel de cada um, em sua individualidade própria encontrar subsídios que façam emergir além da superfície. Não é uma tarefa fácil, mas é ela que confere sentido e valor a nossa existência.  

Voltando a reflexão de 2014 e como ela fez uma tremenda dança das cadeiras, hoje me ponho a estar nos lugares e com pessoas que no interlúdio da ausência faz com que meu coração vibre em estar próxima, dos geograficamente distantes e próximos. Ironia da vida, quem você mais gostaria da presença é quem está em momentos esporádicos com você, talvez isso crie uma áurea mágica nas pessoas.  Isso, entretanto, não fez com que eu desvalorizasse os que estão próximos, são eles que dão a alegria do dia, a cor vibrante mesmo quando tudo amanhece em tom pastel sob a nuvem furtiva da saudade. Tenho primado pela qualidade de todos esses encontros e que eles possam ir além de conversas tolas sobre a meteorologia. Isso necessariamente também incluiu um certo recolhimento meu das redes sociais após as eleições. Foi muito desgaste emocional para pouca coisa. A cada dia venho ficando mais distante do virtual e mais presente na realidade, seja olhando a Kalindi dançar na sala, ou lendo meus livros (que estão se acumulando na estante) ou fazendo uma coisa diferente para jantarmos. Tenho preguiça, muita preguiça de olhar a timeline do Facebook, de responder as inúmeras mensagens de whatsapp (sobretudo as dos grupos que atropelam o irrelevante) e de me fazer presente para perfis. Venho acessado de forma objetiva as páginas do meu trabalho, mas sem grande envolvimento e perda de tempo com o que não interessa. Perdi a vontade. Estou fechada para balanço. F5.

 2014, sobretudo seu inicio, foi o ano do cansaço para mim. Cansaço de fazer as mesmas coisas, de ouvir as mesmas ladainhas e não ver o cenário mudar. Acontece que neste ínterim eu mudei, mudei muito. Perdi o medo de todas as coisas que me assombravam e isso me deu coragem para assumir quem realmente sou e todas minhas características que vão ao desencontro do socialmente aceitável.  Não desejo ferir, nem machucar ninguém, mas também não estou disposta a agradar sufocando a mim mesma. Assim como me vejo muito mais aberta a vivências e desafios do que outrora, aceitando minha alma cigana que por algum tempo foi sufocada pela mesmice dos dias.

Sou grata ao universo e a dinâmica da vida por ter postos pessoas no meu caminho e tirado outras. Axé?! Axé! Mãos invisíveis que não são nem tão mãos e nem tão invisíveis quanto a própria natureza do devir. Assim foi (e está sendo) 2014, tirando coisas do caminho, colocando tantas outras, desde obstáculos a mais livros para que eu pudesse de forma criativa encontrar o instante de paz no meio do caos. Entre forças de determinação e preguiça vou guiando meu corpo a este novo propósito e esperando que 2015 seja mais ameno.